O Londrina aposta na nova geração de talentos do time. Os ‘meninos de ouro’ de Val de Mello - como o técnico prefere chamá-los - já começam a dar retorno ao clube na Série A-2 do Campeonato Paranaense. Alguns, como o lateral-direito Pitty e atacante Fábio Nascimento, agarraram depressa a camisa titular. O lateral-esquerdo Carlos Eduardo, eficiente no apoio e na marcação, virou uma espécie de ‘sombra’ do antes intocável Lélis. O meia Luciano, que Val descobriu em uma ‘peneirada’ em Brasília, chegou a ameaçar Eraldo. Mas, emprestado ao Atlético Paranaense, Luciano seguiu o caminho de Rodrigo, também negociado ao rubro-negro da Capital.
Os goleiros Cristiano e Rafael, os laterais/zagueiros Rosinei e Márcio Paulino, o volante Paulo Sergio e o atacante Júnior são outras ‘promessas’ à espera de uma chance. Mais do que ninguém, Val conhece os limites de cada um - as virtudes e os defeitos. É como se carregasse os garotos na palma das mãos. ‘‘A nova estrutura do Londrina depende deles. Boto muita fé nessa meninada’’, orgulha-se Val, que há duas semanas saiu dos juniores para substituir Paulo Comelli no time profissional.
Val sabe como liderar um grupo mesclado de jogadores experientes ou principiantes, mas, segundo ele, os futuros craques merecem uma atenção especial durante as palestras ou nas conversas reservadas. ‘‘Procuro mostrar a eles que, às vezes, é fácil alcançar o profissionalismo. O duro é manter-se lá em cima. É preciso que haja seriedade e muito trabalho’’, alerta Val.
Como se fosse um paciente professor - que se apóia na retaguarda do supervisor João Severo, do técnico Lio e do preparador-físico Billy (comandam os juniores e os juvenis) - Val alerta os ‘alunos’ sobre os riscos de uma profissão que, às vezes, ilude os candidatos ao estrelato. Invariavelmente, ele fica atento aos maiores desafios de um iniciante: ansiedade, medo e insegurança.
Val não admite usar nenhum estilo paternalista no relacionamento com o grupo. Recusa o rótulo de ‘paizão’. Entende que o excesso de zelo provoca dependências. Destaca a importância do diálogo ‘franco e direto’. ‘‘Vou logo avisando: se você quer subir na vida, trabalhe. Trabalhe muito. Não esqueça nunca da humildade. Só assim você chega lᒒ, sugere Val.
Fábio Nascimento jura que aplica os ensinamentos ao ‘pé da letra’. Em apenas cinco jogos como titular, o ‘matador’ conseguiu ‘quebrar a cintura’ - na base de ‘um pra lá dois prá cᒠ- marcando quatro gols na segundona paranaense. Os adversários que se cuidem. ‘‘O Chicletão (zagueiro do Paranavaí) me confidenciou que o técnico deles (Ivair Cenci) pediu que ele grudasse em mim. No fundo, me senti valorizado’’, confessa Fábio Nascimento, sem esconder uma ponta de vaidade. ‘‘Mas não posso parar. Quero batalhar muito pelo meu espaço. Me relataram tantos exemplos de ex-jogadores famosos que não guardaram dinheiro e caíram na miséria. Estou ligado’’, garante Fábio Nascimento, precavido.
O que ainda o incomoda, porém, é o salário de R$ 400,00 mensais. O dinheiro mal dá para as despesas mais elementares, incluindo estudos e a própria sobrevivência. Mora na casa da avó, que o cria desde criança. ‘‘Me prometeram um aumento. Sei que reconhecerão meu esforço’’, diz.
O que aconteceu ao atual preparador de goleiros Neneca, ‘rico e famoso’ nos tempos de Guarani de Campinas, serve como triste referência aos novatos. Neneca assume, arrependido, que vivia noitadas de farra. Não ligava para o futuro. Literalmente, torrava o salário no meio de incontáveis mulheres interesseiras. Ingênuo, ajudava aos ‘falsos amigos de plantão’. Um dia, um deles - ex-empresário que se mudou de Londrina para Santos (SP) - pediu-lhe ajuda financeira. Preocupado, Neneca levou pessoalmente o dinheiro até o Litoral.
Mais tarde, já sem o patrimônio que havia construído ao longo da carreira - entre lotes e chácaras, dilapidou 32 imóveis - Neneca telefonou ao ‘amigo’ para tentar um empréstimo que pudesse livrá-lo de alguns problemas particulares inadiáveis. O ‘amigo’ prometeu retornar. Neneca, desolado, espera até hoje.
Playoff - No coletivo de hoje, no Estádio do Café, Val de Mello observa o time que enfrenta o Paranavaí, às 15h30 de domingo, fora de casa, no jogo de volta de um dos playoffs da Série A-2 Paranaense. No primeiro confronto, o Londrina ganhou de 1 a 0. Mais uma vitória - ou dois empates - asseguraria a classificação.
As chuvas de ontem impediram o treino-tático que estava previsto no período da tarde. O técnico deu folga geral ao elenco.Dorico da SilvaPrata-da-casaCarlos Eduardo durante treino: lateral direito aproveita chance e vira ‘sombra’ para o titular LélisNelson Cilo

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