Motivação seria alternativa para retorno em Astorga
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de abril de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
O ''Estádio Municipal Orlando Pinto'', em Astorga, está preservado e há quem afirme, até por conta de uma rivalidade antiga, que o gramado causa inveja a Arapongas, cujo campo apresentou deficiências recentemente. Mas enquanto a cidade vizinha tem representante na primeira divisão estadual, no ''Orlando Pinto'' quem entra em campo é o ''Museu Esportivo Recreativo Astorga'' (Mera), que reproduzem futebol do século 16, o cálcio fiorentino, que se jogava em Florença (Itália).
Se o ''calcio'' permitia 27 jogadores de cada lado, o Mera não deixa por menos, entram quantos quiserem, desde que sejam sócios. ''Se chegar os 70, jogam 35 de cada lado'', explica o goleiro Tácito Octaviano Barduzzi, único elo entre o puro divertimento de hoje e o profissionalismo da Associação Atlética Astorga (A. A. A.), que defendeu em campeonatos norte-paranaenses.
Reflete-se no Mera a impossibilidade econômica frente ao ''profissionalismo inflacionado'', inviável na maioria das cidades, segundo Valentim Guerino na primeira reportagem desta série, sobre Mandaguari (32,6 mil habitantes, a 30 km de Maringá).
Contudo, o presidente do Sindicato Rural (patronal) de Astorga, Guerino Guandalini, admite a hipótese de se reativar o profissionalismo. ''A cidade é otimista'', resume, embora Astorga (24,7 mil habitantes, a 60 km de Londrina) já não tenha os fatores primordiais que lhe permitiram o futebol competitivo de outrora: muita gente e muito dinheiro. A população atual do município não é superior à que o IBGE constatou em 1960, quando o café estava no auge, a cidade tinha apenas 15 anos e o município, 10.
Trinta quilômetros é a distância por rodovia entre Arapongas e Astorga; economicamente, porém, Arapongas adiantou-se, ao incrementar a indústria, hoje a segunda maior contribuição ao PIB municipal, de R$ 1,673 bilhão, segundo o IBGE; o setor de serviços está em primeiro lugar e a agropecuária em último. O PIB per capita de Arapongas (104.161 habitantes) é de R$ 16,4 mil. Astorga tem produto interno bruto (PIB) de R$ 249,8 milhões (R$ 9,9 mil per capita), sendo mais forte em serviços; a contribuição da indústria está em segundo lugar, com pequena diferença sobre a agropecuária.
Guandalini, porém, acredita em motivação. Lembra que ao assumir a administração municipal, quando era vice-prefeito, pediu à comunidade que opinasse sobre a ideia de se adotar o cognome ''rainha da amizade'' para Astorga. ''Coloquei uma urna e ganhei no voto.'' No caso do futebol, ''em primeiro lugar a Prefeitura terá de encampar a proposta'' e a seguir criar-se uma associação, sugere. ''Astorga tem condições, tem pessoal brilhante'', arremata.


