Monza - A entrevista de ontem do presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, era para ser esclarecedora sobre o regulamento da Fórmula 1 para as duas próximas temporadas. Mas, de novo, não foi desta vez que as regras do jogo foram conhecidas. ''Como as equipes não me apresentaram propostas até 6 de setembro, haverá mais 45 dias para elas escolherem qual dos três pacotes de mudanças que as encaminhamos elas preferem'', disse o dirigente. ''Se até 21 de outubro não haver consenso, como é provável, o Conselho Mundial da FIA aprovará um dos pacotes.''
Charlie Whiting, delegado de segurança da Fórmula 1, enviou aos representantes das dez equipes um fax com as três propostas de Mosley. ''Atacamos três áreas para reduzir o desempenho dos carros e oferecer maior segurança ao evento, pneus, motores e aerodinâmica'', contou o presidente da FIA. ''Nos três pacotes, a alteração nos pneus é a mesma, ou seja, em vez de dez jogos por GP, como agora, serão apenas dois. E parece haver já a aceitação das escuderias.''
No pacote 1, as restrições de motor são severas e prevêem até a redução de 3,0 para 2,4 litros e de dez para oito cilindros. Na opção 2, prosseguiu Mosley, os motores terão de resistir a dois GPs e não apenas um, como hoje, mas podem continuar sendo 3,0 litros e V-10. ''Nosso projeto 3 dá mais liberdades aos fabricantes de motores. Do nosso contato com os times, o pacote 2 é o que deverá prevalecer'', explicou o dirigente.
As restrições aerodinâmicas se assemelham: elevação da altura do aerofólio dianteiro em mais cinco centímetros com relação ao assoalho, a redução da altura do perfil extrator, que é a curvatura do assoalho, na porção final, e a proibição de elementos como os pequenos aerofólios à frente das rodas traseiras, comuns hoje. ''Não impedimos de as equipes cruzarem as opções dos três pacotes'', informou Mosley.
Outra medida que deverá ser adotada, embora o dirigente tenha explicado que não possa partir dele, é a redução do peso mínimo dos carros, atualmente em 605 quilos contando o piloto. ''Solicitamos às escuderias a inclusão desse item e fomos bem aceitos'', contou Mosley. ''Não compete a nós porque só podemos alegar razões de segurança para mudar o regulamento e reduzir o peso mínimo é contraditório, pois aumentaria a velocidade.''
O objetivo é acabar com o lastro utilizado pelos melhores times. ''Há quem trabalhe com lastro de 100 quilos'', destacou Mosley. Além de aumentar a segurança, por reduzir a energia dos impactos, por ser um carro mais leve, afeta também equipes como a Ferrari, que ao poder usar 100 quilos de lastro, onde desejar, ajuda a tornar seu carro ainda mais equilibrado.

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