No ano passado, o vencedor das 500 Milhas de Fontana, última etapa da temporada da Fórmula Indy, foi o mexicano Adrian Fernandez. E quem se sagrou campeão foi o colombiano Juan Pablo Montoya. Mas eles não tiveram muito o que comemorar, pois ao cruzarem a linha de chegada, ficaram sabendo da morte do piloto Greg Moore. Para evitar mais uma desgraça, a organização da prova resolveu implantar algumas medidas de segurança, que já estão prontas para a prova desse ano, no próximo domingo, às 17h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo da DirecTV. O brasileiro Gil de Ferran, líder do campeonato, pode conquistar o título. Ele tem cinco pontos de vantagem sobre Fernandez: 153 a 148.
O acidente fatal de Greg Moore ocorreu na curva dois do circuito oval de Fontana, o California Speedway. O carro bateu no muro externo de proteção, cruzou a pista e chocou-se contra o muro interno. Entre a pista e o muro interno, havia grama, que fez o carro perder estabilidade e virar de lado antes de bater. Trocar essa grama por asfalto foi a primeira providência, como lembra o diretor de relações públicas Dennis Bickmeier: ‘‘Cria mais atrito.’’ Além disso, várias fileiras de pneus velhos foram colocadas, antes do muro de concreto, em três quartos da extensão entre a curva dois e a três. BF Goodrich, Michelin, Goodyear... todas as marcas. Para mantê-las coesas, foi usada uma grossa esteira de borracha. Em cima do muro, existe ainda uma grade de cerca de cinco metros de altura, reforçada com cabos de aço.
Aquele ponto parece bem protegido. Mas e quanto ao resto? Por que não reforçar a segurança ao longo de todas as duas milhas da pista? Bickmeier disse que não sabia responder. Bill Miller, o novo presidente, não foi encontrado para comentar o assunto. Mas, existe a opinião de Robert Rodgers, um fanático espectador de 37 anos, que está alojado com seu trailer dentro do circuito: ‘‘Acho que eles ainda vão colocar os pneus em todo o circuito.’’ Quando morrer alguém em outra curva? ‘‘É.’’
Esse californiano de Anaheim, que assistiu a todas as corridas em Fontana – o circuito foi construído em 97 –, não acha que a curva dois seja mais perigosa que as demais: ‘‘Na velocidade que esses carros atingem, todo lugar é perigoso.’’ O recorde da pista pertence ao brasileiro Maurício Gugelmin, que em 97 atingiu, na classificação, 240,942 mph (387,674 km/h).
Robert Rodgers está passando férias no California
Speedway. Pagou US$ 500 para estacionar seu trailer no meio do circuito oval, bem ao lado do local onde Moore morreu, e também na Winston Cup, de stock car. Paga também US$ 40 para assistir à prova, em companhia de alguns amigos. - Enquanto os carros ainda estão parados, como ontem, ele apenas relaxa. ‘‘Daqui a uma hora vou começar a tomar cerveja’’, disse ao meio-dia.
Quando estiverem sendo realizados os treinos e a prova, Rodgers subirá no seu trailer e assistirá tudo de camarote. Quando cansar do barulho, poderá entrar e ver pela tevê. Afinal de contas, o veículo é equipado com satélite. Hoje, haverá duas sessões de treinos livres pela manhã e à tarde. O grid será definido amanhã.