A utilização do desfibrilador aparelho que poderia ter sido usado no salvamento do jogador Serginho, do São Caetano é lei em Londrina, mas não vem sendo cumprida. Serginho morreu quarta-feira à noite, vítima de uma parada cardiorrespiratória, durante uma partida contra o São Paulo, no Morumbi, pela 38 rodada do Campeonato Brasileiro. O desfibrilador é um aparelho de choque utilizado para ressuscitar vítimas de ataques cardíacos nos primeiros minutos após a parada do coração.
Aprovada em julho de 2002, em Londrina, a lei nº 8.845 prevê a instalação de Desfibriladores Automáticos Externos (DAE) em locais de grande concentração de pessoas, como estádios, shoppings centers, aeroporto e rodoviária, e o treinamento de pessoas para utilizá-los. Mas até hoje a lei ainda aguarda regulamentação para funcionar efetivamente. Na cidade, só a Câmara conta com o aparelho e pessoas treinadas para utilizá-lo. ''Se o jogo fosse aqui em Londrina, teria acontecido a mesma coisa, por falta de socorro adequado'', alertou o médico cardiologista Manoel Fernandes Canesin.
Segundo Canesin, o leigo tem grande importância no salvamento de pessoas com parada cardiorrespiratória, já que a atuação nos primeiros quatro minutos depois da parada é essencial e a maioria das ambulâncias demora, em média, sete minutos para chegar ao local de atendimento. Ele explicou que o leigo treinado, depois de reconhecer que a vítima está sofrendo uma parada cardíaca, pode aplicar compressão toráxica (massagem) e ventilação (respiração boca a boca ou máscara de oxigênio), e em seguida aplicar o choque com o desfibrilador. ''Em Londrina, duas pessoas morrem por dia em consequência de morte súbita'', disse, ressaltando que 70% das vítimas poderiam ser salvas, caso fosse aplicado o socorro correto e imediato.
O secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes, informou que estão sendo feitas ''discussões técnicas'' sobre a lei, ''para aperfeiçoá-la''. Uma das adequações deverá ser a possibilidade de terceirização do serviço em locais de concentração esporádica de pessoas, como estádios de futebol e autódromo. Outra adequação é o prazo até fevereiro de 2005 para que seja feito treinamento nos locais onde devem ser instalados os desfibriladores. ''O núcleo de educação em urgência do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) vai habilitar o treinamento'', disse. (Com Agência Estado)

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