Morre Zatopek, a 'locomotiva humana'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Das Agências De Praga 
Morreu na noite de ontem, em Praga, aos 78 anos, o legendário fundista checo Emil Zatopek, a locomotiva humana, devido a uma hemorragia cerebral. O atleta estava internado desde o dia 30 de outubro em estado de coma, considerado pelos médicos do Hospital Militar Strosovice como sendo muito grave.
Zatopek já havia sido internado em setembro. Seu quadro clínico melhorou, e ele, conseguiu acompanhar os jogos Olímpicos. Quando parecia que o atleta já havia conseguido superar seu estado físico, sofreu um derrame cerebral fulminante.
O checo conquistou medalha de ouro na Olimpíada de 1948, em Londres, nos 5 mil metros. Em 1952, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, conquistou três medalhas de ouro, nos 5 mil, 10 mil e na Maratona, além de quebrar os recordes olímpicos das provas. Os observadores chegavam a dizer que ele corria como quem tivesse um escorpião em ambas as sapatilhas de corrida.
Entre seus feitos como atleta, Zatopek superou o recorde em 18 oportunidades, sendo declarado o melhor esportista do mundo em 1949, 1951 e 1952.
O presidente da IAAF (Federação Internacional de Atletismo Amador), Lamine Diack, se disse consternado pela morte do tcheco Emil Zatopek, de 78 anos, uma das maiores lendas da História do atletismo mundial. Segundo ele, a Locomotiva foi um exemplo para os jovens. Zatopek encarnava todas as virtudes de um campeão. O público em geral reconheceu nele um honrado e intransigente defensor dos princípios fundamentais da dignidade e da liberdade individual, disse o dirigente, em nota enviada à imprensa.
Diack, que também foi atleta por seu país, o Senegal, admitiu que Zatopek foi um de seus ídolos na juventude. Sua história permanece como um exemplo para quem pensa em seguir uma carreira esportiva, sobretudo no atletismo. Ele demonstrou que a seriedade e a capacidade de aguentar os limites da dor são as armas fundamentais de um atleta.
O presidente da IAAF pediu apoio à esposa de Zatopek, Dana, que esteve ao lado do ex-atleta desde 1952, até os sofridos dias atuais.


