Será enterrado, às 10 horas, o corpo do professor de boxe Miguel de Oliveira. Havia 72 dias, ele estava internado na Unidade de Terpia Intensiva (UTI) do Hospital do Coração e não resistiu ao tratamento de saúde. A morte dele foi confirmada na manhã de ontem. Com 66 anos, ele foi o introdutor do pugilismo em Londrina desde quando treinava, em 1975, no antigo espaço da Rádio Patrulha. No início dos anos 1980, ele montou a Academia de Boxe do Londrina, na Vila Casoni.
De acordo com a viúva Selma de Oliveira, no dia 17 de julho, Oliveira deu entrada no hospital e desde então seu quadro de saúde se agravou. Ela afirma que houve uma sequência de problemas decorrentes do tratamento de hemodiálise, como pneumonia e derrame pleural. ''Como tudo foi se complicando, chegou uma hora que sofreu uma parada cardíaca. Era o único órgão que funcionava'', disse.
Selma recorda que, quando ainda estava em atividade na academia situada na Rua Jorge Casoni, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), sua preocupação era cuidar dos jovens que frequentavam os treinos. ''Muitos deixaram a bebida, o cigarro e as drogas e passaram a ter uma vida digna graças aos conselhos dele'', lembrou. Oliveira, que atuou como técnico da seleção paranaense de boxe, foi condecorado cidadão honorário de Londrina em novembro de 2007.
Segundo o irmão Francisco Wood Carrilho de Oliveira, na época que eram crianças e moravam em Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), ''o Miguel já promovia rodadas de boxe entre amigos.''. ''O amigo, o irmão e o bom caráter são as qualidades que vão deixar saudades'', afirmou.
Com a morte de Miguel, o enteado César de Oliveira passará a ser o responsável por coordenar os treinamentos de boxe deixados por Miguel. Em recente entrevista à FOLHA, ele declarou que a filosofia da academia é ''luta só aqui dentro''. Segundo ele, o treinador recriminava quem se envolvia em brigas fora dos espaço de treinamentos. ''A maior filosofia do Miguel era briga zero''.
Legado - Em 30 anos, cerca de 500 alunos passaram pela Academia de Boxe do Londrina. Atualmente são 200 alunos treinando - 20 deles atuam como lutadores. Um dos mais antigos em atividade é Edílson Pereira que, com 15 anos nos ringues, já conquistou os títulos de campeão brasileiro e paranaense. E o principal, aprendeu a dar valor aos estudos. ''Eu não tinha noções básicas de que era importante estudar. Isso eu devo a ele'', ressaltou.
Já Maximiliano Prato, que frequentou os treinamentos entre 2005 e 2007, recorda que Miguel era uma pessoa atenciosa e estava sempre ''voltado ao esporte e preocupado em orientar quem estava treinando''. Ele afirma que era possível perceber o carinho que tinha pelos alunos e que também era ''um cara preocupado em ajudar os amigos''. ''É uma grande perda. Quando se falava em boxe, ele era referência em Londrina e no Paraná'', decretou.
A perda abalou também companheiros de esporte com o qual Oliveira manteve ''divergências políticas'', mas que fora dos ringues mantinham uma relação de amizade. Macaris do Livramento, ex-campeão brasileiro e mundial, lamentou a perda do Miguel de Oliveira e declarou que ''sempre admirou o trabalho feito por ele pelo boxe.'' ''Fiquei triste com isso. Ele gostava do boxe como eu, era o mesmo amor pelo esporte e, no geral, temos muito a perder'', declarou.

mockup