O ex-prefeito Dalton Paranaguá, 75 anos, nunca imaginou que o Moringão chegaria a 30 anos de vida com o histórico que tem hoje. Quando começou a articular os primeiros projetos de construção, esse nordestino, natural do Piauí, só pensava em atender as reivindicações da comunidade esportiva da cidade, que em plena ascensão, exigia um complexo esportivo condizente com o status londrinense de capital mundial do café. ''Eu tinha de cumprir um compromisso assumido com o esporte da cidade, que utilizava apenas o Colossinho (na atual Unifil). Nunca imaginei que hoje o Moringão representasse tanto para a cidade e pudesse beneficiar o esporte, a cultura e a religião. Hoje o Moringão é o coração da cidade'', diz, deixando transparecer o orgulho em ser o maior responsável pela construção de um símbolo de Londrina.
Dalton Paranaguá (prefeito de 68 a 72) é um cidadão de posições fortes e não pensa duas vezes antes de colocar peso em suas palavras. Não usou de pudor quando pediu ao vice-presidente do governo Médici, almirante Augusto Rademaker, que usasse de sua autoridade para intimidar o Poder Legislativo, que se recusava aprovar a lei que autorizava a liberação de recursos para a construção do ginásio. ''Eu tinha sido eleito pelo MDB e a Câmara estava nas mãos de vereadores da Arena. Quando o Rademaker me perguntou se eu precisava de alguma coisa, não tive dúvidas e o posicionei sobre meu impasse. Três dias depois, cheguei à prefeitura e tive a grata surpresa de ver a lei aprovada'', lembrou. ''Tenho a satisfação em dizer hoje que todo dinheiro investido no ginásio veio do orçamento da prefeitura.''
Três decadas depois, Paranaguá, médico aposentado, ainda tenta solucionar o mistério que insiste em deixar na clandestinidade o criador da expressão ''moringão''. Em sua campanha para prefeito, ele ficou popularmente conhecido como o homem da ''moringa fresca'', aquele que não ''esquenta'' com os ataques adversários. ''Apenas sei que o nome do ginásio surgiu dessa história. Foi na verdade uma homenagem. Agora, para saber quem criou a expressão, eu teria de conhecer a opinião de cada cidadão daquela época'', disse.
O idealizador dos conceitos implantados na construção do ginásio foi o arquiteto Léo de Judá Barbosa, contratado por Paranaguá para ser o secretário de Urbanização da cidade que crescia em ritmo acelerado. ''Eu o trouxe de Maringá na mesma época em que comecei a descentralizar o poder do prefeito criando secretarias. O Léo concebeu o projeto, pioneiro para a época, e o manteve no mais absoluto sigilo. Depois disso, o mesmo conceito foi implantado na construção de outros ginásio do Estado'', afirmou.
Paranaguá lembrou ainda do importante papel de Reinaldo Ramon, ex-professor da UEL, e de Thoshihiko Tan, na época presidente da Ametur, órgão que administrava o esporte da cidade. ''São pessoas que sempre lutaram muito pela construção do Moringão.''

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