Lucilia Okamura
De Londrina
Localizado na Avenida Henrique Mansano (zona norte), o Estádio do Café, onde serão realizados os jogos do Pré-Olímpico, faz parte de um conjunto esportivo formado também pelo Autódromo Internacional Ayrton Senna e o Kartódromo Luigi Borghesi. Mas a vizinhança do estádio não se restringe a locais frequentados por aficcionados do esporte. Ao longo da avenida é possível encontrar desde uma fábrica de refrescos, passando por residências, bares, serralherias e até uma casa noturna.
Instalada estrategicamente a 200 metros do estádio, a tradicional Fábrica de Refresco e Geladinho Saci é, praticamente, a única que tem ligação com o local. Os produtos da fábrica são vendidos em todos os jogos realizados no estádio.
A fábrica foi fundada há 33 anos, na Rua Guaporé, e está na Avenida Henrique Mansano desde 1992. O proprietário Fábio Luciano Borssato nega que a transferência da fábrica foi motivada pela proximidade com o estádio. ‘‘Foi coincidência’’, afirma.
Com uma produção mensal de 10 mil caixas/mês que é vendida em sete estados, a fábrica emprega 30 funcionários. A expectativa de Borssato para o Pré-Olímpico era poder comercializar seus produtos no estádio. Mas uma exigência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de proibir sacos plásticos durante os jogos está emperrando a negociação. ‘‘Somos uma empresa estabelecida há 33 anos, temos um produto adequado para os jogos e não podemos comercializar’’, reclama.
Do outro lado da avenida, quase em frente ao estádio fica a Ferro & Fogo – Indústria de Artefatos de Aço, instalado naquele local desde 1988. O proprietário Sebastião Vicente Rodrigues conta que gosta do lugar, mas apenas como ponto comercial. ‘‘Eu morava numa casa nos fundos e em 95 me mudei por causa do barulho, não do estádio, mas do autódromo’’, afirma.
Sobre o Pré-Olímpico, Sebastião Rodrigues observa que o evento vem trazendo benefícios para os comerciantes instalados na via. ‘‘Antes, a avenida estava bem largada. Agora, a prefeitura fez o recapeamento do asfalto, melhorou a sinalização e a iluminação e limpou tudo’’, explica. ‘‘Tinha que organizar um Pré-Olímpico todos os anos’’, brinca.
Quem também está satisfeito com as benfeitorias realizadas nas redondezas é o empresário Leonildo Pagliari, morador da Rua Jonas Barbosa Leite, no Jardim dos Alpes. ‘‘Melhorou em todos os aspectos’’, afirma ele, acostumado a caminhar diariamente na avenida.
O empresário mora no bairro há três anos e diz ter consciência de que o trânsito ficará bastante complicado em dias de jogo. ‘‘Mas a gente tem que entender que nesses eventos sempre tem um pouco de tumulto’’, ressalta. Ele conta que irá torcer muito pelo Brasil e quer assistir a todos os jogos.
O comerciante Ary Américo Leal lembra que quando chegou ao bairro, em 1984, a região estava bastante abandonada. ‘‘Tudo aqui era mato’’, conta. ‘‘Depois foram sendo feitas algumas melhorias, construíram o autódromo e a situação hoje está boa.’’ Ele espera que a prefeitura não abandone a região depois que o Pré-Olímpico terminar.
Dono da Lanchonete do Ary, o comerciante está acostumado a atender pessoas que vão ao estádio e ao autódromo. Para o Pré-Olímpico, ele está ampliando a lanchonete porque acredita que o movimento será bom.
Em frente ao autódromo funciona a única casa noturna da avenida, o Café Clube Executivo. ‘‘O lugar é muito bom, principalmente porque não tenho concorrência por perto’’, observa o proprietário Sandro Luis Ortega. Aberto de segunda-feira a sábado, a partir das 20 horas, a casa atrai, segundo ele, cerca de 400 pessoas por semana, que vão beber e assistir aos shows de strip-tease.
Sandro Ortega está preparando a casa para o Pré-Olímpico, realizando pequenas reformas e pintura. ‘‘A nossa expectativa é atender principalmente as pessoas de fora’’, explica. Segundo ele, o movimento deve ser 80% superior ao normal. Apesar do trabalho dobrado que deve ter, ele pretende assistir a alguns jogos.