Curitiba - O bloqueio de trânsito tanto de automóveis como de pedestres que não tinham ingressos para os jogos no entorno da Arena da Baixada preocupou moradores e, principalmente, comerciantes vizinhos do estádio. O transtorno de ter de se credenciar junto à prefeitura para ter o simples direito de se deslocar em direção à sua própria casa e a restrição da circulação de pessoas na região, inicialmente, irritou a comunidade local.
Mas o clima de Copa, logo também os contagiou. No caminho para o estádio, moradores dos prédios e casas do Água Verde interagiam com os torcedores na rua ou nas janelas. "Claro que causa um transtorno, dificulta a locomoção, mas são só quatro dias, a solução é tirar folga do trabalho e entrar no clima. É muito divertido interagir com tanta gente diferente", contou Adriane Zaniolo, que mora a duas quadras do estádio.
No comércio, enquanto proprietários de bares, restaurantes e lanchonetes comemoravam o aumento do movimento, com os torcedores, que não circulavam no entorno da arena há quase três anos, responsáveis por estabelecimentos sem relação com a alimentação ou com a Copa do Mundo lamentavam o prejuízo causado pelo bloqueio nos quatro dias.
Mas não quem anteviu o problema e inovou buscando uma alternativa. Proprietária de uma loja de utilidades domésticas, localizada a poucos metros da Arena da Baixada, a empresária Gabriela Toledo encontrou um meio criativo de manter aquecido seu empreendimento durante a Copa do Mundo. Temendo perder faturamento nos dias de bloqueio da região para os jogos, ela decidiu apostar na venda de produtos licenciados pela FIFA. E a aposta deu resultado. Desde 16 de junho, dia do primeiro jogo, entre Nigéria e Irã, a loja vendeu mais de mil canecas oficiais da Copa, um número que surpreendeu.
"Tivemos fazer novos pedidos, pois a saída foi grande", disse. "A ação não foi pensada como uma estratégia de marketing. Nós apenas decidimos aproveitar a oportunidade de atender aos turistas, já que o que vendemos normalmente não teria muitos atrativos", acrescentou a empresária, que ainda imprimiu panfletos em quatro diferentes idiomas e ofereceu o serviço de entrega em hotéis. (R.P.)

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