Monza - O bastão enfim foi passado. Para as mãos de Fernando Alonso. Não, não houve cerimônia. Mas também não houve contestação: Monza assistiu ontem a dois momentos emblemáticos. E opostos.
Um, de saída. Maior piloto da história, único heptacampeão da Fórmula 1 e vencedor das cinco últimas temporadas, Michael Schumacher, 36 anos, foi apenas o décimo no GP da Itália, aniquilando suas chances matemáticas de um oitavo título neste ano.
Outro, de chegada. Sob o mesmo calor de 28 graus da Lombardia, Alonso, 24, terminou na segunda colocação, duas à frente do agora único adversário, Kimi Raikkonen. Resultado: já no próximo domingo, com três etapas de antecedência, pode se tornar o campeão mais jovem das 56 edições do principal campeonato do automobilismo.
Como que para completar o ritual de transição, o título de Alonso pode vir na mesma pista em que Schumacher estreou na F-1, em 91. Na mesma pista em que o alemão venceu pela primeira vez, em 92. Na mesma pista em que garantiu o hepta, em 2004. Na Bélgica, em Spa-Francorchamps, com sua oportuna fama de separar homens de meninos.
A conta é simples. A vitória em Monza foi de Juan Pablo Montoya, da McLaren, seguido pelo espanhol, por Giancarlo Fisichella e por Raikkonen. Com isso, Alonso aumentou de 24 para 27 pontos sua vantagem sobre o finlandês. Para conquistar o título no domingo, precisa sair da Bélgica 31 pontos à frente do rival.
Ou seja, Alonso pode ser campeão até com um quinto lugar em Spa, desde que o piloto da McLaren não pontue. Pelo seu lado, para prolongar a disputa sem depender do espanhol, Raikkonen tem que vencer ou ser segundo.
Tarefa complicada. Até porque, por repetidas falhas da equipe, os últimos planos fracassaram. Ontem, um pneu enterrou os sonhos de dobradinha da McLaren.
Largando em 11º, vítima de uma quebra de motor antes do treino oficial, Raikkonen fazia uma prova fantástica em Monza. Único piloto na pista com uma estratégia de um pit stop, era o quinto colocado na 27 volta, com boas chances de vitória, quando seu pneu traseiro esquerdo rasgou. Sem outra opção, foi para os boxes trocá-lo. Mesmo assim, ainda foi quarto colocado.
Sem precisar abrir passagem para o companheiro, Montoya, que saiu na pole, fez a obrigação: manteve-se na frente e venceu pela sexta vez na carreira. Em nenhum momento foi atacado por Alonso, que, como prometera na véspera, fez um GP cauteloso. Atitude que levou para o discurso pós-corrida. ''Se eu não terminar os próximos dois GPs, posso chegar ao Japão (penúltima etapa) com só sete pontos de vantagem.''
Contraste claro, Schumacher tinha outras contas na cabeça. ''O campeonato já estava perdido. Pelo menos sei que os últimos anos foram muito bons'', disse, sem falar sobre o futuro. Talvez porque já não lhe pertença.

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