DivulgaçãoMiyoko Higashi: paixão pelo golfeA paixão pelo esporte é o que geralmente move muitas pessoas. Competir numa modalidade, numa faixa etária de 14 a 24 ou um pouco mais, não é nenhuma novidade. Mas participar de torneios aos 69, não é muito comum. Mas a paixão que move Miyoko Higashi é a mesma de um jovem talento que descobre suas habilidades em determinadas modalidades. E essa paixão que move Hiyoko não é de simples participante de torneios. Com handcap 9, o que a classifica entre as melhores jogadoras do Brasil (e aí não entra idade, porque o que vale é o handcap e ela joga, em igualdade de condições, até com as garotas de seleção brasileira, caso de Priscila Iida, do Arujá). Tanto é verdade que ela está entre as favoritas para o 4º Open Norte do Paraná, que será encerrado hoje, numa promoção do Londrina Golf Club. Aliás, no 2º Open Aniversário de Londrina, disputado no início de dezembro do ano passado, competindo com jogadoras de nível, ela foi a campeã da categoria scratch.
Miyoko Higashi não é uma brasileira (ela nasceu japonesa, em Nara, mas naturalizou-se tão logo que chegou ao Brasil). Ao contrário de japoneses e seus descendentes, Miyoko é uma senhora muito descontraída e que gosta de falar, rir e principalmente jogar golfe. Tanto assim que as histórias que conta são curiosas. ‘‘Tinha por hábito ir treinar todo dia às 5 horas e às 7 retornava para casa para fazer café ao marido. Mas certo dia acordei e um pouco sonâmbula, olhei no relógio e vi 6 horas. Levantei correndo sem fazer barulho e segui para o campo. Lá percebi que ainda estava meio escuro, apesar da claridade da lua. Foi aí que notei o erro que cometi. Era meia-noite e com receio de voltar para casa e acordar o marido e até os vizinhos, permaneci no campo e treinei a madrugada toda, sem nenhum problema. O curioso é que nesta noite descobri que o contato do taco com o chão e a bola provoca faíscas’’, comentou toda sorridente.
Pouco mais de metro e meio de altura, em torno de 45/50 quilos e sorriso largo a todo momento é o que não falta para a senhora Higashi. Certa época ela precisava de um novo jogo de tacos. Como é canhoteira, teria que encomendar e esperar. Resolveu ir com o marido Yukio Higashi (ele faleceu o ano passado) para o Japão e lá fazer a encomenda que precisava. Num período de seis meses, ela trabalhou como caddie (pessoa que correga a bolsa de tacos do jogador), ‘‘para ajudar nas despesas’’, disse rindo. ‘‘Um dia, na cozinha de casa no Japão, fui surpreendida por uma amiga. Quando ela entrou ficou assustada ao me ver treinando swing com uma faca de cortar legumes. É que longe dos campos (jogou pouco no Japão), não podia perder o meu jogo, então nada mais justo que treinar, enquanto o arroz, o peixe ou alguma coisa ficava na panela para cozinhar. Não gostava de ver televisão, então a faca servia para treinar um putter e as panelas, mais pesadas, serviam como os demais tacos’’, contou ela, chamando a atenção do filho Júlio Higashi, que havia ‘entregue o serviço’.
Mas isso são duas histórias entre muitas de uma golfista que pratica o esporte há 45 anos e que já ganhou inúmeros títulos pelo Brasil e que já mostrou sua categoria no Peru, Japão e agora irá jogar em Cancum, no México. Uma jogadora que usou uma cachorrinha (Juquinha), que foi treinada para buscar bola para ela, nos treinos de aproach. Assim é Miyoko Higashi, a paixão pelo golfe, o esporte que ela pratica há 45 anos.

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