Mixed Martial Art's - Os campeões de audiência
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
O ortopedista César Martins é um espectador fiel do Ultimate Fighting Championship (UFC). Especialista no tratamento de lesões de atletas das artes marciais, é daqueles que assinam o canal Premiere Combate, do Pay Per View, e assiste a todas as lutas acompanhado por um balde de pipoca e refrigerante. Recentemente, passou a trabalhar num hospital onde há um enfermeiro que também gosta, e, agora pode dar uma espiada durante os plantões noturnos, entre um atendimento e outro, em alguns duelos no octógono do hotel-cassino Mandalay Bays, em Los Angeles.
Difundido no passado pela família Gracie, o Ultimate agora é uma das febres da televisão fechada. Para se ter uma noção do fenômeno, o UFC vem batendo recordes de audiência e vendas de pacotes desde 2007, devido a altos investimentos em marketing. Somente em 2009, foram 7,95 milhões de assinaturas (vide gráfico) para assistir as lutas de nomes como Randy Couture, Rashad Evans, Georges St-Pierre, Broc Lesnar, além dos brasileiros Anderson ''The Spider'' Silva, Lyoto Machida, Maurício Shogum e Vitor Belfort.
Segundo o empresário do lutador paranaense Maurício Shogum, Eduardo Alonso, o atual proprietário do UFC, Dana White, pagou cerca de US$ 2 milhões em 2002 pela empresa e atualmente tem valor estimado entre US$ 1 e US$ 1,5 bilhão. Ele informa que os dados são extra-oficiais, pois a empresa prefere o sigilo para evitar especulações que ''possam gerar barganhas'' como aumento no salário de lutadores.
Alonso, que antes de se tornar empresário trabalhou como jornalista especializado em artes marciais, explica que o crescimento nas vendas de pacote é o único parâmetro para saber a quantas anda o UFC. Se comparado a 2008, é possível observar que o crescimento foi de 26%, ano em que cerca de 6,26 milhões de assinaturas foram comercializadas. De acordo com seus cálculos, o preço médio de cada pacote é de US$ 60. ''Daí é possível tentar ter uma noção do tamanho do negócio'', arrisca.
Este cenário tornou o Mixed Martial Art's (MMA) uma opção para brasileiros virarem lutadores e entrarem no card do UFC. Esse é um sonho que pode ser comparado ao de jogar na seleção brasileira de futebol. Segundo dados do site Payout - The Business of MMA, o valor de bolsas por lutas é atraente, mesmo com acentuadas diferenças. Por exemplo, Anderson Silva que é detentor do cinturão de campeão dos pesos médios já defendeu oito vezes o título. Isso garante uma bolsa de US$ 250 mil por luta, além de bônus pelas vitórias.
Já entre iniciantes a quantia é mais modesta, porém atraente. Gleison Tibau, Júnior dos Santos e o soldado do Bope, Paulo Thiago, que é uma das atuais revelações e ganham entre US$ 60 mil e US$ 30 mil. ''No UFC eles valorizam muito a questão do campeão. Quanto mais você defender seu cinturão, maior é a bolsa'', explica Alonso.
Segundo o empresário, devido aos altos custos para se importar um lutador, a organização do UFC escolhe minuciosamente nomes internacionais. Para evitar gastos desnecessários com passagens aéreas e hospedagem com fiascos, a demanda acaba se tornando ''pouco prolífica''. ''Os custos são altos e o promotor precisa se certificar do investimentos. Se o lutador não demonstrar potencial futuro, dificilmente eles chamam'', explica.
Mas os brasileiros atualmente são bens vistos lá fora e sempre tiveram destaque devido à qualidade técnica. Precursor no jiu-jitsu, o Brasil mudou o jeito de se lutar no UFC introduzindo o uso de novas artes como o muay thai e o karatê. O próprio Shogum chega a ganhar cerca de US$ 155 mil por luta, além de Lyoto Machida que também tem salário de alto escalão: US$ 200 mil.
Esporte ou não?
Além de polêmico, o MMA também traz um dilema que divide opiniões sobre sua legitimidade enquanto esporte. Segundo Martins, a competitividade que há sobre o octógono exige um nível de preparação de atletas ''onde quem não se dedica aos treinamentos físicos e mentais acaba não conseguindo evoluir''. Na opinião dele, só este fator já garante a chancela de atletas aos lutadores.
Quando comparado ao boxe, que acha ser mais monótono, o médico aponta características como a variedade de golpes que adeptos das artes marciais têm à disposição. ''Como o MMA é completo, o cara tem de tudo. São golpes variados que envolvem o muay thai e o jiu jitsu e tem vários recursos como trocação, solo e alavancas de imobilização'', exemplifica.
O favoritismo é outra característica das artes marciais que também foi por água abaixo no UFC. César aponta esta como a principal peculiaridade, pois a qualquer momento um campeão pode ser desbancado. ''Ninguém é soberano neste esporte e sempre tem alguém querendo tomar seu cinturão. Hoje, se o cara não tiver uma boa guarda, não adianta ter nome. Vai chegar um cara desconhecido que pode te derrubar'', arremata.


