Jaguapitã - Dia bonito de sol, o céu azul e uma temperatura agradável do outono norte-paranaense. Um clima convidativo para uma atividade fora da cidade logo pela manhã e para um encontro com o verde vibrante da região. Foi com esse espírito que a reportagem da Folha partiu no último sábado em direção ao município de Jaguapitã para acompanhar a segunda etapa do rali Mitsubishi Cup, a maior prova de velocidade cross country do País, que reuniu 63 pilotos e seus navegadores de seis estados do Sul e Sudeste.
Conforme a nossa equipe ia se aproximando da Fazenda Maragogipe (o local da prova), a 45 quilômetros de Londrina, a poeira levantada na estrada pelas picapes já chamava atenção de quem passava pela PR-170, que liga a região ao município de Porecatu. A poeira levada pelo vento era tanta em trechos próximos à rodovia que os motoristas eram obrigados a reduzir a velocidade para enxergar a pista.
Ao pegarmos a estrada de acesso à propriedade, vimos que o clima bucólico da fazenda que conheceu o seu apogeu nos tempos áureos do café, entre as décadas de 50 e 60 se transformou e ganhou ares de modernidade ao ser tomada pelo ronco dos motores e pela agitação dos pilotos, curiosos e equipes de serviço.
Uma movimentação que deixava de boca aberta pessoas como dona Conceição, com seus mais de 75 anos de lida nas lavouras de café e que mora na localidade há 57 anos. ''A gente nunca viu uma coisa dessas aqui. Essa fazenda só foi movimentada quando a colônia era forte e aqui morava muita gente. Filho, isso aqui era uma cidade; tinha até cinema dia de domingo'', recorda a velhinha, passando a mão em seus cabelos brancos castigados pelo tempo.
Chegando ao pátio das equipes, montado em cima de um imenso terreiro de café, se via uma multidão de carros e de gente. Como as provas já estavam em andamento, o que se via era as picapes acelerando e saltando nas curvas de nível, levantando poeira e mais poeira. O circuito, de 28 quilômetros, cortava lavouras, matas, um riacho e era completado na casa dos 20 minutos pelos pilotos mais rápidos, como o paulista Guiga Spinelli, vencedor na categoria principal a L200 RS Master. ''O bom é que a cada volta (são sempre três em cada etapa) o piloto pode estudar melhor a pista e passar o máximo de informações para o navegador, fazendo cada vez uma volta mais rápida que a anterior'', disse Spinelli, que faz dupla com Marcelo Vívolo.

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