Severino Bandeira é um dos pioneiros do futebol na cidade. Aos 81 anos, ele assistiu ao saudoso Comercial ser campeão estadual da primeira divisão em 1961, bem como a inauguração do Estádio Ubirajara Medeiros, em 1970. "Para o primeiro jogo do estádio veio o time profissional do Santos, contra uma equipe organizada por atletas da cidade. Perdemos de 3 a 1, mas foi um jogo muito lindo, a cidade inteira parou", lembra.
O funcionário público, e ex-dirigente do Nove de Julho, Ailton Dias, 55 anos, mais conhecido como Mandioca, também tem ótimas lembranças do estádio. "Não me esqueço de um jogo que ganhamos do Coritiba por 1 x 0, em 1990, um golaço da ponta esquerda, a torcida vibrou muito", lembra.
Ninguém, porém, conhece melhor a história do Estádio Ubirajara Medeiros que José Aparecido, 69 anos, o zelador do estádio há 44 anos, mais conhecido como Zelão. Todos os dias é possível encontrá-lo com dois molhos enormes de chaves. "Conheço cada janela e porte deste local", brinca. Ele se lembra de jogos memoráveis no estádio. "Mas nenhum empolgava tanto quanto as partidas contra o Londrina, a rivalidade era muito grande antigamente", lembra.
Desde que a reforma iniciou, Zelão é figura constante nas obras, ajudando a cuidar do gramado e fazer pequenos reparos. Mesmo adoecido, ele faz questão de trabalhar na obra. "Todos falam para eu parar, mas eu faço por amor de verdade. Esse gramado é minha casa. Nunca vi o estádio tão bonito, e isso me dá uma alegria imensa".
Mandioca também vê com alegria a volta de Cornélio à elite do futebol. "Tem muitos jovens aqui que não sabem o que é ter um time profissional na cidade. Aquela empolgação nos dias de jogo, a energia de assistir um jogo no estádio. Agora eles vão poder ter essa alegria, ver jogos de grandes equipes do Paraná, como o Atlético e o Coritiba, apreciar um futebol de qualidade. Tudo isso marca uma geração e empolga os jovens atletas". (R.P.)

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