Mistérios e surpresas no Caminho de Compostela
Saber os reais motivos que levam um ciclista a peregrinar pelos caminhos de Santiago de Compostela é tarefa difícil até para quem já percorreu. O médico Flávio Zanoni, por exemplo, já fez duas vezes o trajeto e até hoje reluta na hora de encontrar uma resposta objetiva. Conforme relata, durante a descida, o ciclista se depara com frases escritas em muros e placas com dizeres enigmáticos, mas que justificam a aventura pelo Caminho de Compostela.
Até aqui você chegou e irá encontrar alguns problemas pela frente. Porém, você irá superar e desfrutar cada passo com alegria. Se quer ir, vá, mas desde que seja adiante. Estes dizeres, por exemplo, servem tanto para o momento do trajeto quanto para o dia a dia do peregrino após o término da viagem. O mais interessante é que o ciclista transporta estes pensamentos para a vida depois. Como lá não tem distinção de classes sociais, o caminho mostra que é possível ser feliz com pouca coisa, define Zanoni.
Próximo à cidade de Nájera, o médico observou que havia uma pergunta grafada que o deixou perturbado: O que te traz a fazer este caminho?. Na sequência, uma série de frases traz, aos poucos, respostas que envolvem o ciclista em pensamentos como não é um Castelo Medieval, não é o vinho de La Arriova. Mais adiante, uma placa esclarece a dúvida com os dizeres: Só o lá de cima sabe.
Depois de percorrer pela segunda vez o trecho, ao invés de retornar com a vontade saciada, o que sente é a vontade de vencer novamente o desafio. Não tem explicação, resume o médico. É alguma coisa que te chama. Mas se perguntarem se tenho vontade de descer outra vez, a resposta é afirmativa. Quem sabe, para fechar com chave de ouro, eu consiga fazer em três gerações -pai, filho e netos daqui uns 15 anos. Quem sabe?. (R.O.)





