Mistério domina todo o 'circo' da Fórmula 1
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
A cena dos mecânicos da Williams testando a suspensão eletrônica de um de seus carros imagem registrada pela TV Globo no início dos anos 90 é algo inimaginável na Fórmula 1 de hoje. Quem for ao autódromo de Interlagos disposto a observar a montagem dos bólidos das principais equipes e o trabalho dos mecânicos certamente sairá decepcionado. Ferrari, McLaren, Williams, Benetton e Jordan isolaram os boxes com divisórias plásticas. Elas escondem os segredos de seus carros e, cada vez mais, controlam o que dizem seus pilotos. Até câmeras anti-espionagem foram instaladas. É difícil furar o bloqueio sem ser convidado.
Ninguém quer mostrar seus segredos de suspensões, amortecedores, molas e acertos aerodinâmicos, afirma o piloto Tarso Marques, da Minardi. A vigilância, no entanto, chega a pontos extremos. Ontem, um cinegrafista foi expulso pela assessora de imprensa Stefania Bocchi da frente do box da Ferrari porque registrou o momento em que o motor do carro de Michael Schumacher foi ligado para teste. Toda a parte dianteira do carro estava coberta, incluindo os sistema de freios. Na McLaren, uma cortina preta foi colocada à frente dos carros de Mika Hakkinen e David Coulthard.
Chefes de equipe, projetistas, pilotos, enfim, quem é notícia na F-1, só pode falar com o assessor de imprensa do lado. E, obviamente, o que foi instruído a dizer. A espontaneidade é absolutamente proibida, ou melhor, tudo é proibido na F-1.


