Cercados de rivalidade e mistério, Santos e Corinthians fazem hoje, às 16 horas, no Morumbi, a primeira partida das duas que levará um dos times tradicionais para a decisão contra o vencedor do Interior, Ponte ou Botafogo. Ninguém assume, mas há a certeza que o clássico definirá o campeão paulista. A última vez que os clubes decidiram alguma coisa foi pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1998. O Corinthians se classificou.
A luta atual é pela autoafirmação – dos técnicos e dos jogadores. Geninho sonha em entrar para a elite dos treinadores brasileiros. Comandar a quebra do jejum de 17 anos do Santos. Para isso precisa derrotar o time de Wanderley Luxemburgo. O treinador corintiano sonha com o título paulista para a redenção, depois da sua humilhante passagem pela Seleção Brasileira.
Para quem gosta de duelos, o de maior rivalidade do futebol brasileiro estará no gramado do Morumbi: Rincón e Marcelinho Carioca.
Na seriedade dos treinamentos, o colombiano demonstrou o quanto guarda mágoa do ex-companheiro de time e do próprio Corinthians. Nunca perdoou a diretoria por haver lhe colocado a fama de mercenário. E também os seus companheiros, principalmente Marcelinho por não o ter defendido. Aos 35 anos, eliminar o Corinthians e o seu desafedo de uma final é um dos seus últimos grandes sonhos.
Já Marcelinho Carioca não se pode dar ao luxo de perder tempo demonstrando a raiva que nutriu por Rincón roubar a atenção quando era jogador corintiano. O meia precisa vencer o duelo para demonstrar o impossível: que ainda merece outra chance na Seleção.
Para começar a vencer as semifinais, o mistério é um ingrediente eficaz. Luxemburgo ameaça colocar Kléber na lateral e André como volante. Geninho dá o troco insinuando trocar Elano no lugar de Renatinho. Puro enfeite porque o básico das duas equipes não irá mudar: o Corinthians com seu meio-de-campo habilidoso, ataque veloz e péssima defesa. Já o Santos, com zaga fraca e violenta, meio-de-campo eficaz e ataque inconstante.
As duas equipes se encontraram em um traumático 5 a 0 para o Corinthians no dia 18 de março no Pacembu.
Embora sete titulares do Santos estejam pendurados com cartões amarelos (Fábio Costa, Claudiomiro, Galván, Rincón, Robert, Renato e Deivid), a ordem é evitar o gol do rival de qualquer maneira. ‘‘Ninguém aqui vai tirar o pé. Melhor um cartão que um gol. Os 5 a 0 já nos ensinaram isso’’, resume, nervoso, o argentino Galván.
Luxemburgo segue o caminho inverso: ‘‘Se pensarmos que somos melhores que o Santos, perderemos a vaga. Quero seriedade porque eles tentarão se vingar da goleada chegando à final.’’

mockup