Ministro Orlando Silva se diz favorável a uma CPMI no esporte
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Agência Estado 
São Paulo - Os defensores da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para analisar a distribuição de verbas no esporte nacional ganharam um aliado até certo ponto inesperado na figura do ministro Orlando Silva. O dirigente máximo do esporte no poder executivo apóia a iniciativa encampada pelos deputados Silvio Torres (PSDB-SP) e Miro Teixeira (PDT-RJ), além do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), do legislativo. O trio está colhendo assinaturas para realizar um raio X da distribuição de verbas no esporte nacional e, com as informações em mãos, elaborar uma proposta de política para o setor.
No Brasil as comissões parlamentares de inquérito ganharam conotação diferente. Há quem ouça a palavra CPI e pense em alguma irregularidade, algum crime, disse Orlando. Mas o sentido era apurar um tema e oferecer uma contribuição à sociedade. Se for nesse aspecto, acho plenamente adequado a preparação de uma CPI.
Segundo o ministro, uma crítica bem feita sobre a maneira como o esporte nacional é gerenciado pode contribuir para melhorias no futuro. Vai aparecer o debate do financiamento - que está aquém do que o País precisa - , vai aparecer o problema da infra-estrutura esportiva - veja que a maioria das escolas não tem nem sequer um aparelho esportivo, ou sala de aula da educação física -, vai aparecer a necessidade de equipes multiprofissionais para aumentar a atividade física no Brasil, comentou Orlando.
Segundo ele, um diagnóstico pode ajudar a criar um sistema nacional do esporte em que clubes, ligas, confederações e federações dialoguem com conselhos profissionais, universidades e poder público ao articular uma política mais eficiente para o esporte.
O ministro, no entanto, garante que, mesmo que todas as dificuldades vividas pelo setor no Brasil sejam ressaltadas, isso não será desculpa para fracassos. O Brasil investe muito menos do que os países no esporte de alto rendimento, mas eu acredito que é possível uma utilização melhor do que temos.
Segundo o ministro, com melhor planejamento, a mobilização de melhores profissionais, potencializando os recursos disponíveis, é possível pensar no País como um dos dez melhores do ranking mundial, especialmente porque já existem experiências positivas no judô, na ginástica, no vôlei, que conseguiram resultados expressivos em um curto espaço de tempo.
Silva garante que não há contradição entre pensar o Brasil como potência e investir mais na divulgação do esporte entre os jovens. Quanto mais você alarga a base das pessoas que têm acesso à atividade física, melhores condições você tem de investigar talentos e preparar tecnicamente os campeões, os que vão disputar as medalhas pelo País.


