Brasília - O ministro do Esporte, Orlando Silva, reconheceu ontem, em Brasília, que a arrecadação da Timemania ficou aquém do previsto. Segundo o ministro, a Caixa Econômica Federal tinha feito uma previsão de receitas de R$ 520 milhões para o primeiro ano de funcionamento da loteria, criada para que os clubes de futebol equacionassem suas dívidas com o governo federal, mas a arrecadação de 2008 representou um faturamento de apenas R$ 130 milhões, 25% da projeção original.
Silva avalia que foram cometidos alguns erros na execução da Timemania. O primeiro foi o alto custo de cada bilhete. ''A aposta custava R$ 2, enquanto as outras modalidades de loteria tinham preço de R$ 1. Isso aconteceu porque, durante o lançamento da Timemania, havia a expectativa de aumento do valor de todas as outras apostas para R$ 2. Mas com o temor da inflação, houve medo de que esse aumento pudesse pressionar tarifas públicas e o preço congelou. Resultado: ela ficou muito mais cara do que as outras loterias durante sete meses'', lamenta o ministro.
Orlando Silva acha, entretanto, que a Timemania teve o mérito de tirar os clubes de futebol da situação de inadimplência. ''Recebemos pagamentos que considerávamos perdidos'', diz. E agora discute com clubes e governo fórmulas para aprimorá-la para 2009, quase num processo de recriação, no que está sendo chamado de Timemania 2.
No formato original, todos os clubes participantes tiveram suas dívidas com o governo parceladas. Como as parcelas eram muito elevadas, foi criada uma regra de transição para o primeiro ano, com essa dívida mensal sendo de, no máximo, R$ 50 mil. A expectativa é que a receita da Timemania criasse caixa para que os clubes pudessem pagar em 2009 as parcelas mais altas.
Como isso não ocorreu, os clubes pleiteiam a prorrogação desse prazo de transição, que termina no início do ano, e jogarão o valor das parcelas mensais para a casa das centenas de milhares de reais. ''Como a Timemania não cumpriu o objetivo de receita nova no patamar esperado e não chegou ao resultado que sonhávamos, a prorrogação desse prazo é uma hipótese. Porque alguns clubes vão ter muitas dificuldades para pagar as parcelas daqui para a frente'', explica, preocupado com a volta dos clubes ao estado de inadimplência.

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