Minha primeira Copa do Mundo
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quarta-feira, 07 de junho de 2006
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Brasil nunca foi tão superfavorito ao título de uma Copa do Mundo como agora. Alguns podem discordar, dizer que em 1966 a movimentação era a mesma, em 1970 Pelé era tão badalado quanto todos os jogadores com nomes que começam com ''R'' juntos e que em 1982 a expectativa foi ainda maior. Mas em nenhuma das edições passadas o Mundial empolgou tanto uma geração ainda muito pequena para lembrar a mais recente conquista, em 2002 na Coréia e no Japão: a dos pequenos torcedores, que, pela primeira vez, vão acompanhar todos os passos de seus ídolos do futebol pela televisão, na Alemanha.
Não é preciso ser muito atento ou observador para constatar tanta admiração dos ''baixinhos'' pela seleção canarinho. Um simples passeio em qualquer pátio de qualquer colégio é suficiente para perder a conta de quantas camisetas, bonés, lenços, pulseiras, álbuns de figurinhas, bandeirinhas, cadernos, canetas e tantos outros adereços verde-e-amarelo estão presentes na indumentária infanto-juvenil de garotos e garotas, ainda na 4 ou 5 séries, com seus 9, 10 ou 11 anos de idade.
Foi o que aconteceu com uma pequena visita da reportagem da Folha ao Colégio Positivo do Jardim Ambiental, em Curitiba. O passeio pela sala de aula e pelo pátio da escola foi acompanhado pelos pequenos torcedores, que falaram sobre futebol e mostraram estar tão por dentro da Copa do Mundo quanto os mais fanáticos torcedores adultos.
''O Brasil é favorito porque tem os melhores jogadores do mundo e é o País do futebol. Eu gosto bastante do Roberto Carlos porque ele é que nem eu, joga na ala-esquerda e chuta forte'', descreveu o pequeno Nahi Bernardi Féder, 9 anos, aluno da 4 série.
Em 2002, João Vítor Archegas tinha apenas 5 anos. O garoto lembra-se apenas de alguns momentos da consagração do futebol pentacampeão. ''Lembro mais ou menos dos gols e do Brasil erguendo a taça'', disse. Felipe Rocha Martins, da mesma idade, recorda-se do barulho da torcida. ''Na final, no segundo gol do Ronaldo, eu estava dormindo e meu pai me acordou.''
Meninas As lembranças, no entanto, não ficam somente na cabeça dos meninos. Em época de Copa, as garotas são tão apaixonadas pelo Brasil quanto a ala masculina. ''Acho que as meninas torcem igual aos meninos. Em 2002, eu lembro do cabelo do Ronaldinho e do Cafu erguendo a taça'', afirmou Helena Chagas Salvador, a mais velha da turminha da 4série, com 10 anos. ''Eu não sou muito fã de futebol mas quando é Copa eu torço'', acrescentou Isabel Demeterco, de 9 anos.
Palpites Todos são unânimes ao atribuir o título mundial deste ano ao Brasil. E os palpites sobre os adversários mais fortes são tão coerentes quanto as opiniões dos mais respeitados comentaristas. ''Acho que se o Brasil não for campeão, os mais fortes são França, Itália, Alemanha e Inglaterra, porque eles têm um forte meio-de-campo'', apostou Felipe.
Perguntados sobre quem seria o craque da Copa, houve até quem elegesse estrangeiros. ''Acho que vai ser Thierry Henry (atacante francês) ou Kaká'', comentou Helena. ''Gosto bastante do Beckham (meia inglês) e do Mineiro'', opinou João Vítor, que logo foi interrompido por Isabel: ''Os melhores são o Ronaldinho e o Robinho. Outro dia eu vi o Robinho fazendo um golaço no Real Madrid''.


