O armador-central Léo, principal jogador da Unifil/Londrina/Sercomtel nas últimas três temporadas e também titular absoluto da seleção brasileira de handebol, conversou ontem com a Folha sobre as suas aspirações para este ano e disse que não medirá esforços para disputar a Olimpíada de Pequim em 2008. ''Nunca disputei uma Olimpíada e quero estar lá com a seleção brasileira no ano que vem. É o ponto alto da carreira de um atleta e não descansarei enquanto não tiver concretizado este objetivo'', disse, resoluto.
O jogador considera até mais importante disputar os Jogos Olímpicos do que cuidar financeiramente da carreira, acertando, por exemplo, sua transferência para o exterior. Prova disso é que recusou no mês passado um convite de um clube italiano que queria contratá-lo já agora para a continuação da temporada 2006/07. ''Eu estava em dúvida, mas decidi permanecer na Unifil porque será importante ficar no Brasil neste momento para acompanhar os períodos de treinamento com a seleção até o Pan-Americano do Rio (em julho)'', justificou Léo.
De acordo com a programação prévia estipulada pela Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), até os Jogos do Rio o armador ficará pelo menos cinco períodos de dez dias com a seleção masculina, que é treinada pelo espanhol Jordi Ribera.
''O que determinou minha permanência no Brasil foi a seleção brasileira. Temos que nos preparar bem para sermos campeões, pois só assim garantiremos vaga na Olimpíada'', explicou. Foi assim que ocorreu com a seleção anterior, que era treinada por Alberto Rigolo, no Pan de Santo Domingo-2003: sagrou-se campeã e foi aos Jogos de Atenas-2004.
O armador da Unifil acredita que a única ''pedra no sapato'' capaz de atrapalhar os planos da seleção no Pan seja a rival Argentina, que superou os brasileiros na fase de grupos no último Mundial Masculino, disputado até o último dia 4, na Alemanha. Depois de comandar o placar durante todo o jogo, o Brasil sofreu a virada no final e perdeu por 22 a 20, dia 22 de janeiro.
''Ficamos todos chateados pela forma como perdemos (da Argentina). Pecamos muito nas finalizações cara a cara com o goleiro, e precisamos diminuir estes erros até o Pan. Mas a nossa chance de sermos campeões é total'', assegurou. Léo diz que além da Argentina, que perdeu as duas últimas finais para o Brasil (em Santo Domingo e também no Pan de Handebol, em Aracaju, em 2006), só Cuba pode complicar um pouco nos Jogos do Rio-2007. ''Mas se fizermos o que sabemos ficaremos com o ouro'', tranquilizou.
Sobre o Mundial, apesar da 19 colocação, o jogador avalia que a participação do Brasil foi boa. ''Perdemos para equipes fortes que jogaram com todos os titulares. Antes, seleções como Alemanha, Rússia e Polônia encaravam o Brasil como adversário fraco e colocavam só os reservas. Agora somos vistos com outros olhos'', observou Léo, vice-artilheiro do Brasil no Mundial, com 26 gols.

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