Minha função é diferente
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Guilherme van der Laars<br> Agência O Globo 
Konigstein - Ronaldinho Gaúcho sabe que ficou devendo uma boa atuação na estréia do Brasil na Copa. O craque não se escora em desculpas. Assume que ficou abaixo do que poderia render.
E uma das explicações é a velha história de que na seleção brasileira ele não joga da mesma forma que no Barcelona. ''Comecei nem mal nem bem, fui regular. Tive que ficar mais no meio-campo, segurando, criando as jogadas, tentando ficar mais com a bola, fazendo a equipe jogar. Minha função agora é um pouquinho diferente daquela de buscar o gol toda hora, de ir para cima dos caras'', disse o camisa 10, acrescentando que contra a Austrália novamente atuará como meia, sem tanta liberdade como tem no Barcelona.
Ronaldinho comparou mais detalhadamente as funções que exerce no Barcelona e na seleção brasileira. ''Lá, jogo mais como atacante, aberto na esquerda vindo para o meio. Aqui, o professor pediu para que a gente treinasse como meia, criando as jogadas, fazendo a bola andar de um lado para o outro, chegar nos atacantes, procurar dar um tempo na jogada'', afirmou.
Mas nada de polêmicas ou reclamações. Ronaldinho escorrega ao ser perguntado se fica prejudicado no esquema montado por Parreira. ''Já fiz essa função no Grêmio, no Paris Saint Germain e no próprio Barcelona. Mas é um pouquinho diferente do que eu vinha fazendo'', limitou-se a dizer.
Além do posicionamento, Ronaldinho cita outro diferencial do Barcelona. ''Quanto mais entrosamento, mais fácil fica. E lá nós estamos há três anos juntos, basicamente com os mesmos jogadores e a mesma forma de jogar. Aqui temos essa dificuldade. Chega e já temos que jogar''.
Ronaldinho reconhece que pode render muito mais. Também afirma que precisa haver mais movimentação. Mas não se limita a falar apenas de Ronaldo: ''Falta movimentação dos quatro jogadores de ataque e não dizer que um só não se movimentou. O quadrado pode ser muito melhor, a gente tem consciência disso''.
O craque elogiou a entrada de Robinho na equipe. ''Entrou muito bem, ele é um jogador que tem muita mobilidade. Se mexe muito para o lado do campo, que é uma característica bem diferente dos outros dois atacantes''.
Ao ser perguntado se o time poderia render mais com Robinho, novamente esquivou-se de polêmica: ''Cada um tem sua característica de jogo, é fácil jogar com qualquer um deles''.
E se fosse o técnico, escalaria quem no ataque? ''Não sou treinador, não! Quer me complicar, é? A minha é jogar, todos os caras são feras, não vou me complicar'', respondeu, com um largo sorriso no rosto.
O máximo que se permitiu dizer foi: ''Temos consciência de que no futebol o que vale é o momento. Aquele que está melhor quase sempre joga. Mas o Ronaldo é importante para nós, numa jogada individual pode decidir. Eu o defendo com unhas e dentes''.
Mas, para ele, o Brasil crescerá no momento certo na Copa do Mundo. ''Temos consciência de que podemos melhorar muito. Objetivo é esse, ir crescendo durante a competição, a cada jogo'', finalizou.


