Mineiro dá o tri mundial ao São Paulo
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2005
Por Juliano Costa<br> Agência Estado 
Tókio - O que você faz contra um adversário que se diz imbatível? Responde na bola, conquista o título mundial e cala a boca dele! Foi isso o que o São Paulo fez. Deixou o Liverpool falar. Falar demais. Falar até morder a língua. E voltar para a Inglaterra com as mãos abanando. O melhor futebol do mundo é praticado no Brasil. Será que eles não sabiam? Pois que saibam agora: no País pentacampeão, só o São Paulo é tri mundial.
Foi uma vitória heróica. Sem brilho, por 1 a 0, mas heróica - após uma boa atuação no primeiro tempo e com uma estratégia arriscada no segundo, com dez jogadores atrás e mais um recuado, o São Paulo resistiu à pressão do Liverpool. E quis o destino que o autor do único gol da partida, o gol que calou os falastrões dos Reds, saísse dos pés do mais tímido dos tricolores: o volante Mineiro. Que, mesmo com apenas 1,69m, acabou com os gigantes que vestiam vermelho. ''É a história do Davi contra o Golias. Está na Bíblia'', lembraram os jogadores mais religiosos, na preleção.
Quis o destino também que a vitória do tri se desse no mesmo palco da conquista do penta da Seleção, o estádio de Yokohama, no Japão. Após três anos e meio, a cena parecia se repetir: ajoelhados, jogadores e integrantes da comissão técnica formavam um círculo no gramado para rezar e agradecer a conquista do título. Cicinho carregava uma bandeira verde e amarela. Lugano, uma celeste e branca - a de seu Uruguai, que não disputará a Copa do Mundo de 2006.
De longe, o meia Steven Gerrard, o craque inglês, via a cena com um bico desse tamanho. Parecia não acreditar no que via. ''O sonho acabou'', diria um vocalista de uma certa banda de rock de Liverpool. E pensar que, na véspera, esse mesmo Gerrard havia dito que seu time era imbatível...! O Liverpool pagou caro pela sua arrogância. Começou o jogo dando mostras de que poderia vencer com facilidade. Morientes perdeu uma chance clara logo no primeiro minuto.
Mas o São Paulo reagiu depois que Cicinho, aos 12 minutos, aplicou um ''chapéu'' em Xabi Alonso. Ali, os tricolores perceberam que o Liverpool não era tudo isso. E não era mesmo. Tinha falhas, como qualquer equipe tem. Aos 26, Aloísio, contratado só para disputar o Mundial, explorou a maior delas: a defesa que joga em linha. O atacante recuou para receber a bola e, com um toque rápido e inteligente, colocou o homem-surpresa Mineiro na cara do gol, às costas da zaga. O finlandês Hyypia, a quem Amoroso chamou carinhosamente de ''cintura-dura'', não entendeu nada quando a bola foi morrer no fundo da rede de Reina. O Liverpool não tomava um gol havia 11 jogos. Foram 1.014 minutos de invencibilidade. Implodidos por Mineiro.
Depois disso, o Tricolor recuou. Até demais. E sofreu pressão. Foram três gols anulados - todos corretamente -, sendo dois por impedimento e outro por falta em Rogério Ceni. De cabeça, Luís García, um dos quatro espanhóis titulares do Liverpool, teve três chances - a melhor delas bateu na trave. Com chutes de fora da área, Gerrard também assustou. Mas foi aí que apareceu Rogério Ceni. O goleirão fez defesas tão impressionantes que acabou sendo eleito pela Fifa como o melhor em campo. Nada mais justo para quem sonhava ser campeão mundial como titular havia 12 anos. E que ontem fez esse sonho virar realidade.


