Xangai - Enquanto o mais novo circuito da Fórmula 1 encantava a todos, sem exceção, Bernie Ecclestone, o promotor do Mundial, e os proprietários das equipes Jordan e Minardi, Eddie Jordan e Paul Stoddart, iniciavam uma verdadeira guerra. ''Não creio que esses dois times sobrevivam o próximo inverno'', afirmou Ecclestone, para revolta dos dois. ''Se for preciso, vendo minha coleção de carros de Fórmula 1 antigos para continuar com a escuderia'', respondeu Stoddart. ''Sou um batalhador. Vou até o fim'', disse Jordan.
Pilotos, donos de equipe, representantes das montadoras, dos patrocinadores, enfim, todos, sem uma única contestação, fazem coro com Flavio Briatore, da Renault: ''Jamais se viu algo semelhante. Os US$ 200 milhões investidos no projeto são palpáveis''.
''Fantástico'', resumiu Michel Schumacher, da Ferrari. ''É uma pista como as antigas da Fórmula 1, com curvas velozes, larga, estou impressionado'', comentou Jacques Villeneuve, da Renault.
Amanhã, das 3 às 4 horas (de Brasília), eles disputam a sessão que definirá o grid do GP da China, 16º da temporada, enquanto na madrugada de hoje aconteceriam os primeiros treinos livres.
O clima de distensão criado pelas instalações futuristas e funcionais do Autódromo Internacional de Xangai não atingiu Ecclestone e os maiores afetados com o anúncio do fechamento das portas da Jaguar, Eddie Jordan e Paul Stoddart. Suas escuderias competem com motor Ford, produzido pela Cosworth, que também foi colocada à venda pela Ford, proprietária da marca Jaguar. Se a montadora norte-americana não comercializar a Jaguar e a Cosworth, Jordan e Minardi ficarão sem motores. Tony Purnell, da Ford, contou que já há vários interessados. Dieter Mateschitz, da Red Bull, é um deles.
''Prefiro ver times como Ferrari com três carros na pista, para atingirmos os 20 necessários, por razões de contrato, a dois pequenos andando lá atrás. A Fórmula 1 seria bem mais competitiva'', justificou Ecclestone, deixando claro que não moverá um pneu para auxiliar a permanência de Jordan e Stoddart no Mundial. O australiano da Minardi lembrou que, por regulamento, esses terceiros pilotos da Ferrari, McLaren e Williams não poderiam sequer participar da cerimônia do pódio, quanto menos somar pontos nos campeonatos de pilotos e construtores.
Ecclestone respondeu de imediato: ''Nós mudamos as regras se é para o bem da Fórmula 1''. Nesse sentido, não deixou de atacar a direção da Ferrari. Em conversa com jornalista do The Guardian, inglês, acusou a escuderia de ''egoísta'' por não concordar com as mudanças desejadas pela FIA a fim de tornar as corridas mais desafiadoras. E até Michael Schumacher não passou impune. ''Que fique claro, sou fã dele, mas duvido muito que seria campeão tantas vezes se Ayrton Senna estivesse vivo''. Sobrou ainda mais para a Ferrari. ''Michael nunca teve concorrência dentro da equipe, por incapacidade de seus companheiros ou falta de meios''.

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