Militão lamenta ausência de clubes na 20ª edição
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Da Redação 
Em 1977/78, o Londrina fez uma campanha fantástica no Campeonato Nacional. Oswaldo de Jesus Militão, então diretor da Ametur, quis aproveitar o estado de graça da cidade, para transportar essa onda para o esporte amador. Chamou Flávio Luiz de Almeida Campos, seu companheiro de Redação na Folha, para ver a possibilidade da criação de alguma competição que pudesse movimentar a cidade nessa área. O momento esportivo da cidade era muito bom. E o nosso amadorismo estava em baixa e precisava ganhar um impulso. Lembro que havia os Jogos Abertos de Londrina, mas que não andava bem, tanto que no ano anterior (78) não houve a competição. Conversei com o Flávio e ele me trouxe uma idéia que achava genial, mas que seria difícil, pois os gastos seriam muitos e o prefeito Antônio Belinati não tinha dotação para repassar à Ametur, para que lá, pudéssemos realizar a competição. Mas era um desafio que valia a pena. Depois de várias reuniões decidimos: vamos fazer os Jogos de Inverno Intersociedades de Londrina, conta Militão.
Os contatos com os presidente des clubes começaram a ser feitos e a cada consulta, a receptividade era das maiores. Os Jogos estavam próximos de ser uma realidade. Determinamos, com os clubes, a data para o evento, que seria de 3 a 31 de julho de 79. Aprovado, restava arrumar o dinheiro para a festa. Patrocínio de um só era praticamente impossível. A solução foi pedir a empresas e políticos, os troféus e medalhas, o que não foi difícil. As arbitragens foram poucas, porque vários árbitros trabalharam de graça. E com o esforço de cada um, realizamos os primeiros Jogos, confiantes de que no segundo as coisas seriam melhores, pois haveria mais apoio. Mas até o terceiro não foi nada fácil. Acho que coloquei cerca de uns R$ 5.000,00, em valores de hoje, do meu bolso, dinheiro que não teve retorno. Mas valeu a pena, porque o objetivo de agitar o esporte amador da cidade funcionou, e muito bem, conta o ex-diretor da Ametur.
Oswaldo Militão diz que hoje, quando as coisas são mais fáceis, os clubes complicam. Lamentei muito quando fiquei sabendo que apenas quatro clubes estão competindo esse ano. E os outros, onde estão? O que eles estão oferecendo a seus associados nesse período ou mesmo durante o ano todo? Os Jogos de Inverno são uma festa que os clubes têm que proporcionar a seus sócios. Acho que falta vontade, especialmente para Canadá e Country, que sempre participaram e hoje estão ausentes. Esses fatos é que levam os associados a criticar as administrações desses presidentes, que fazem só o trivial e o que é fácil, explica Militão.
Arquivo FolhaUnião dos clubesOswaldo de Jesus Militão: Pensamos em termos de unir a família, ao lançarmos os Jogos de InvernoPara ele, o grande sucesso dos Jogos é que a Folha pensou na família. Os Jogos colocaram em disputa toda a família. Não havia limites de idade, podendo jogar do mais jovem ao mais velho associado dos clubes. Também não priorizou modalidades. Foram 30 torneios, masculinos e femininos, do palito ao futebol. Colocou frente a frente os associados de todos os clubes, do mais alto poder aquisitivo ao mais baixo. Sem nenhum problema social. Recebemos muitos cumprimentos de vários lugares do Estado e de fora. Os Jogos de Inverno passaram a ser, a partir dali, a maior festa esportiva. Os diretores da Ametur que me sucederam entenderam a necessidade de sua realização e também, com muito esforço, conseguiram levar adiante esta competição fantástica, analisa.
Oswaldo de Jesus Militão acha que hoje, a própria Associação Comercial e Industrial de Londrina devia ver essa competição com maior carinho. Os Jogos movimentam mais o comércio. São camisetas, tênis, calções e inúmeros outros itens esportivos que são adquiridos pelos clubes e atletas. A cidade ganha muito com isso. Afinal a competição gerou empregos para técnicos, alunos recém-saídos das faculdades que foram contratados para dirigir equipes dos clubes. Tudo isso conta. Lembro que além de não ter tido o apoio dos vereadores, alguns ainda criticaram na época. Os Jogos de Inverno devem ter um apoio total da cidade. Que festa ou competição a cidade oferece ao cidadão, sem que ele tenha que pagar e por 20 ou 30 dias tem uma festa assegurada? Isso deve ser levado em consideração, não apenas pela Folha e pela Prefeitura. Mais gente tem que ser envolvida nesse processo, principalmente os clubes sociais, critica Militão.
No final ele reafirma que valeu a pena. O esforço do Flávio e sua equipe, trabalhando até altas horas da madrugada para pensar em tudo e principalmente na programação; a dedicação do Romeu de Oliveira, no esforço para buscar verba para pagamento das contas; o empenho dos presidentes de clubes da época, em levar seu clube às quadras, campos e pistas foram recompensados. Pena que hoje os dirigentes não têm a mesma garra daqueles de 20 anos atrás, que mesmo com pouquíssimas estruturas esportivas, encararam uma novidade que mexeu não só com a cidade, mas com o Estado, finalizou Militão, o pai dos Jogos de Inverno.


