Milhares vão às ruas em Chapecó e lotam igreja para homenagear vítimas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Folhapress 

Chapecó - Cerca de 2 mil pessoas saíram às ruas de Chapecó na madrugada desta quarta-feira (29) e lotaram a Catedral Santo Antônio, no centro da cidade, para homenagear as 71 vítimas da maior tragédia da história com uma delegação esportiva.
Mesmo depois de um ano da queda do avião, é possível ver que a cidade ainda sente bastante as dores da inesquecível noite de 29 de novembro de 2016. Na concentração na Arena Condá, antes da multidão se dirigir à igreja, as arquibancadas foram tomadas pelo verde e branco do uniforme da Chapecoense.
As cores se misturavam também com os vários uniformes do Atlético Nacional, equipe colombiana que seria o rival na final da Copa Sul-Americana de 2016 e que ganhou o status de irmã após toda a solidariedade prestada.
O assunto em qualquer parte do estádio era o mesmo: entre lágrimas e abraços, lembrar em qual situação cada torcedor soube da notícia que nunca mais seria esquecida. A Arena Condá ficou aberta o dia inteiro e recebeu pequenas homenagens, como velas, fotos, cartazes, bandeiras e até cartas depositadas em uma cápsula do tempo.
Depois, por volta da 0h30, todos saíram em um silêncio ensurdecedor para uma caminhada de aproximadamente 700 metros até a Catedral Santo Antônio. Os únicos barulhos eram dos cachorros, assustados com a movimentação na madrugada, e dos flashes dos fotógrafos, tentando registrar o ato simbólico.
Ao chegar, todos os lugares foram ocupados rapidamente e filas se formaram na entrada do local para acompanhar de perto o ato. Do lado de fora, torcedores da organizada da Chapecoense balançavam de forma ininterrupta os bandeirões do time, alguns deles lembrando os mortos, como Bruno Rangel "Matador".
À 1h15, os sinos tocaram por minutos e ecoaram no silêncio de uma cidade que vivia mais um dia de luto. Orações e lágrimas perduraram até o fim da cerimônia, já perto da 1h30. Na quarta-feira à noite, mais uma missa foi celebrada.
Na Arena e na igreja, as vítimas foram homenageadas também com os gritos de guerra, como o famoso "Vamo, Vamo Chapê". A cerimônia ainda teve a presença de Rafael Henzel, jornalista que sobreviveu ao acidente, de familiares de alguns dos mortos, de dirigentes da Chapecoense e de autoridades locais, como o prefeito Luciano Buligon.
Indenização
A Chapecoense anunciou nesta quarta-feira que entrou na Justiça contra a Bisa Seguradora, contratada pela companhia aérea LaMia no período do acidente aéreo ocorrido em Medellín, na Colômbia. Na ação de pedido indenizatório figuram também órgãos do governo boliviano, que não foram especificados pelo clube. Segundo o comunicado, mais informações serão fornecidas na sexta-feira (1º).
Em maio, a Bisa alegou no processo judicial que a apólice da companhia aérea boliviana não estava em vigor por falta de pagamento. A seguradora também alegava que seu contrato com a empresa de aviação não previa voos para a Colômbia, onde ocorreu a tragédia. Porém, cerca de um mês depois, o governo boliviano considerou válida a apólice da LaMia com a seguradora Bisa e afirmou que a empresa teria que indenizar as vítimas do acidente com a delegação da Chapecoense em 2016.


