Milésimo gol de Pelé completa 30 anos hoje
Agência Estado
De Santos, SP
Quando fez o milésimo gol, cobrando pênalti contra o Vasco da Gama, no dia 19 de novembro de 1969, há exatos trinta anos, Pelé calculou que já havia dado mais de duas mil camisas número 10 do Santos a amigos, fãs, adversários e personalidades nacionais e estrangeiras. Para si guardou apenas a que usava naquela partida histórica. Na época, o rei usou um cálculo matemático curioso para explicar que o milésimo gol saiu no dia certo: 1 (gol) + 19 (o dia) + 11 (mês) + 969 (o ano) = 1.000.
Um dos depoimentos de Pelé sobre o milésimo gol:
Achei bacana o gol mil ser de pênalti. O jogo parado, o estádio inteiro calado. Eu, a bola e o Andrada. Naquela hora, tive um terrível medo de falhar. Fiquei nervoso. Sabia que todos esperavam o gol. Pouca gente viu, mas fiz o sinal da cruz antes de cobrar o pênalti. O Andrada pulou bem na bola. Chegou a roçar as pontas dos dedos nela. Mas ela entrou. E então explodi primeiro que o estádio. Gritei. Chorei. Não sei por que até hoje, mas naquele momento lembrei toda a minha infância. E resolvi que o gol seria dedicado às crianças pobres do mundo inteiro.
O já falecido jornalista De Vaney, dono de um dos mais completos arquivos sobre esportes, tinha a convicção de que o milésimo gol teve uma história muito diferente.
Desde aquela época passei a sentir que o Pelé estava se deixando levar mais por interesses comerciais. Muito bem assessorado, Pelé conseguiu ter uma equipe e um esquema comercial, que agora o domina de tal modo, que tudo visa dinheiro. O milésimo gol foi preparado para ser feito no Maracanã, diante de dezenas de milhares de pessoas. O Santos excursionava pelo Norte do País e o Pelé já estava com 998 gols. Entretanto, para se chegar ao milésimo, aconteceu uma verdadeira novela. Havia um organização Globo que comprou o milésimo gol, ou os direitos de explorá-lo. O gol, enquanto os jogos eram em cidades pequenas, foi adiado. Num jogo, no Norte, Pelé chegou a jogar no gol do Santos para não marcar.





