Curitiba - Milagres acontecem na vida e no esporte. Aconteceu com o piloto de motocross Eduardo Saçaki, mais conhecido como ‘‘o Japonês Voador’’. O curitibano, que sofreu um grave acidente em 2005, prepara-se para retornar às pistas no segundo semestre deste ano e assegura: ‘‘Meu caso foi um milagre’’.
  Em seguida, explica melhor. ‘‘Quando estava em coma, um padre foi chamado e foi dada a extrema unção, aquilo era uma despedida mas consegui resistir. O segundo milagre foi que disseram para minha família : ‘a vida dele vai ser da cadeira de roda pra cama e da cama pra cadeira de roda’. Graças a Deus estou bem e estou fazendo de tudo para me recuperar.’’
  Saçaki acidentou-se no dia 5 de maio do ano passado, quando disputava o Campeonato Brasileiro de Motocross, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Em mais de 20 anos de corridas, foi a mais grave queda do piloto, que precisou retirar o baço e o rim esquerdo. Ele ficou oito dias em coma e mais 21 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Chegou a perder 24 quilos durante o período inicial de recuperação.
  O piloto paranaense acredita que sua recuperação foi um milagre também por outro motivo. ‘‘Um dia estava na UTI, dentro de uma redoma de vidro, e vi uma mulher. Depois, perguntei para as enfermeiras sobre essa mulher, me disseram que não tinha ninguém que se vestia como ela. Acho que o que vi foi uma freira, foi uma visão mesmo’’, afirmou.
  A inspiração divina serviu também como incentivo para retomar a vida na velocidade. ‘‘A seguradora não quis pagar o meu acidente. Disse para minha família que voltaria se isso acontecesse, se a cobrança e a pressão fossem grandes, então acabei voltando. Deus está me dando a condição de voltar, por que não iria voltar?’’
  
Recuperação e treinos – Convicto da decisão de retornar, Saçaki ainda passa pelo período final de recuperação e readaptação à motocicleta, pistas e a velocidade. Mais de um ano depois do acidente, o piloto ainda sente resquícios do que aconteceu com seu corpo.
  ‘‘Ainda estou me recuperando, a medicação influencia meu reflexo. Fiz alguns treinos com os pilotos mas antes de correr tenho que me reestabelecer, perder gordura e ganhar condição. Minha intenção é entrar, disputar e terminar a prova. Mas não quero atrapalhar nenhum piloto, então tenho que estar preparado’’, adiantou o piloto, que deve voltar às pistas em agosto ou setembro, pela equipe Riffel Racing Team.
  Pergutado se não tem receio de voltar a correr, Saçaki voltou a dizer que teve ajuda divina. ‘‘Deus desligou a chave geral quando caí. Não lembro de nada, não tenho trauma. A sensação é que tenho vontade de acelerar. Mas tenho consciência que não posso passar meus limites’’, disse.

  Legado - Mesmo se não pudesse retornar as pistas, a continuidade da história do ‘‘Japonês Voador’’ já estava garantida na motovelocidade. E o ‘‘papai coruja’’ comemora. ‘‘O meu filho, o Paulinho, tem 17 anos e praticamente nasceu em cima de uma moto, que ele tem desde os 2 anos de idade. Ele está andando na categoria intermediária do Campeonato Paulista. No final de semana foi a décima vez que montou na moto. Ele andou bem porque é bom na parte teórica, já que sempre prestou atenção nas coisas que eu fazia durante todos essa anos ’’, comentou, orgulhoso.

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