MIL GOLS 'Já deixei o Romário no chinelo'
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sábado, 24 de março de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Enquanto no Vasco da Gama Romário ainda tenta fazer o seu gol 1.000, em Londrina alguns boleiros já ultrapassaram esta marca sem tanta dificuldade e não pensam em pendurar tão cedo as chuteiras. A única diferença é que boa parte dos seus gols foram anotados em campos com uma dimensão menor que a oficial. Eles descarregam até hoje a artilharia em campos de suíço espalhados por clubes, associações e chácaras da cidade.
Mas você pode estar pensando: ''Ah, em campo de suíço até eu chego ao milésimo...'' Mas não é bem assim. Primeiro porque os goleadores entrevistados pela FOLHA só contam os gols marcados em campeonatos (afinal, o assunto aqui é sério). Com isso, eles podem até desdenhar do ''Baixinho'', que está contabilizando também os tentos marcados em jogos festivos. E em segundo lugar, porque quatro destes cinco artilheiros não tinham moleza quando precisavam passar pelos beques adversários, já que atuavam como profissionais. Só de uns anos pra cá é que a situação facilitou.
''Em jogo amistoso ou de brincadeira não vale. Porque senão eu ia ter que contar os gols que faço nas peladas duas vezes por semana. E daí não tá certo'', comparou entre risos o artilheiro dos campeonatos livre e senior (acima de 35 anos) do Grêmio Londrinense, Valdir Denobi, o Rumennigue, 35 anos, ex-jogador do Londrina nas décadas de 80 e 90. Além das peladas - no Bola Brasil, em Ibiporã, e na Associação Jabur, em Londrina - o atacante do time da UTI (Última Tentativa do Indivíduo) no Grêmio joga quatro campeonatos ao mesmo tempo: dois no clube, um no Country e outro na Amora (associação da zona leste).
Em apenas três campeonatos que disputou ano passado, Rumennigue marcou 80 gols no total. Por isso, perguntado se já chegou ao gol 1.000, ele fez as contas - de 100 gols por ano - e disse que sim. Antes de escolher apenas o futebol suíço, ''Rato'', como é chamado entre os amigos, fez gols como profissional durante sete anos (entre 90 e 97) e depois no futebol amador (mais três anos). Rumennigue iniciou no LEC, aos 13 anos, onde se profissionalizou, e depois passou por Nacional de Rolândia, Apucarana, Paranavaí, Ponta Porã-MS e três times paraguaios - 2 de Maio, Independente e Nacional.
Faro de gol - Outro artilheiro que não admite contar jogos festivos é Valdir Cardoso, 45, também ex-profissional e formado no Londrina, em 1981. Ponta-esquerda quando ainda havia essa posição no futebol, Valdir não era do tipo que ia à linha de fundo para cruzar. ''Como sou destro eu cortava para dentro, driblava e ia direto pro gol''.
Assim foi surgindo sua fama de artilheiro. Valdir passou pelo Operário de Ponta Grossa, Operário-MT, Apucarana, Derac/Itapetininga e encerrou a carreira em 1987 no extinto Café, de Londrina (que disputava a Segunda Divisão).
Em 87, Valdir virou representante comercial, mas não abandonou os gramados - continuou jogando campeonatos amadores na região por Ibiporã, Guaravera, São Luiz e Portuguesa. Mas como ''ninguém é de ferro'', em 96 o ex-ponta-esquerda decidiu sossegar e passar a jogar somente futebol suíço: ''Não tem tanta correria e o gol fica logo ali. Melhor para mim'', observa.
Hoje ele disputa por ano três campeonatos simultâneos no Iate Clube e dois na empresa em que trabalha - Folha de Londrina. Artilheiro nato, é outro que marca mais de 100 gols por ano. ''Já perdi as contas há muito tempo. Mas se eu fosse contar todos os meus gols acho que já deixei o Romário no chinelo há muito tempo'', diverte-se Valdir, lembrando que não podem entrar nessa conta os jogos festivos. ''Daí não dá, né, senão eu teria que contar os gols das peladas'', emendou.


