Mika Salo diz que a Ferrari acertou em escolhê-lo
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Livio Oricchio 
Spielberg, áustria, 22 (AE) - Visivelmente emocionado com o fato de pilotar amanhã o carro de Michael Schumacher, no primeiro treino livre do GP da áustria, o finlandês Mika Salo lembrou hoje, logo ao chegar no circuito A1-Ring, que há dez anos venceu o piloto alemão nessa mesma pista, quando competiam na Fórmula Ford. "Os motivos que levaram a Ferrari me escolher? Não sei, mas garanto que foi uma boa escolha", afirmou. Os dois pilotos combinaram de se falar por telefone durante o fim de semana, a fim de que Schumacher, mesmo estando na Suíça, o ajude.
"Quando comecei a acelerar a F399 pela primeira vez, em Fiorano, ri sob o capacete durante a primeira volta inteira", disse, para expressar o que lhe significou o convite da equipe italiana. Enquanto respondia as perguntas, Salo observava com atenção a forte chuva que caía na pequena cidade de Spielberg, onde encontra-se o autódromo, ao pé dos alpes austríacos. "Eu testei o carro apenas três dias e em nenhum deles choveu, não tenho a menor idéia do que seja pilotá-lo com tanta água no asfalto", contou o finlandês.
Ele demonstrou ter consciência da responsabilidade que a Ferrari lhe transferiu. "Sei que o F399 é um modelo capaz de levar um bom piloto ao pódio, é isso o que todos esperam de mim e o que tentarei fazer." Mas treinar apenas em Fiorano o preocupa. "O traçado do circuito de testes da Ferrari é muito particular, aqui na áustria será a primeira vez que vou acelerar o carro numa pista de verdade."
Schumacher poderá auxiliá-lo. "Eu vou lhe expôr os problemas e ele tentará me orientar nas soluções", contou Salo, que trabalhará com o engenheiro de Schumacher, o siciliano Ignazio Lunetta.
Como a conversa com Salo ocorreu logo depois da sua chegada no autódromo, ele lembrou algumas passagens na áustria. "Ainda hoje é um pouco difícil vir aqui, tornei-me grande amigo de Roland Ratzenberger, passamos várias férias neste país." Ratzenberger, piloto austríaco, morreu num acidente na classificação para o GP de San Marino, em 1994.
Seria impossível Salo não abordar o também finlandês Mika Hakkinen, da McLaren, atual campeão do mundo. "Nunca fomos inimigos, mas nunca é demais lembrar que na hora que colocamos o capacete não existe amizade na Fórmula 1." Na época da Fórmula 3 britânica, Salo ganhou algumas vezes de Hakkinen. Assim como chegou na frente de Schumacher numa corrida de Fórmula Ford, em 1988, Salo comentou a conquista sobre Hakkinen, apesar do título da temporada de 1990 da Fórmula-3 ter ficado com o atual piloto da McLaren. "Tivemos belos pegas." S
uas chances de reviver a disputa com Hakkinen não são das melhores, confessou Salo, em oposição ao que dissera semana passada, quando afirmou que agora, dispondo de um carro a altura da McLaren, poderia bater seu adversário.
O tom das declarações, hoje, de Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, não deixam dúvida: Eddie Irvine já não fala mais a mesma língua da equipe. Para a imprensa inglesa o norte-irlandês chegou a dizer que, independente do resultado do campeonato, não ficará mais na Ferrari. "Não gosto de pessoas que falam demais" afirmou Todt, numa clara referência a Irvine.
E Ron Dennis, sócio da McLaren, também acusou Irvine de falar muito e fazer pouco. O piloto da Ferrari afirmou que, com a ausência de Schumacher, poderá bater Hakkinen. Se Irvine não corresponder ao que ele mesmo talvez espere de si, já a partir de amanhã, o clima na Ferrari tenderá a piorar muito. E, com isso, crescerão as possibilidades de Rubens Barrichello entrar no seu lugar. "Nosso objetivo é de, no mínimo, conquistar o Mundial de Construtores", falou Todt. A escuderia italiana lidera esse campeonato, com 64 pontos, contra 62 da McLaren.


