O diretor técnico da Squadra Sports, Dado Cavalcanti, bancou o trabalho de Rogério Micale no Londrina e afirmou que o treinador segue respaldado no cargo. Após ficar dez jogos sem vencer na Série B, o time reagiu com duas vitórias consecutivas, sobre São Bernardo e Ponte Preta, e voltou a diminuir a distância para os primeiros clubes fora da zona de rebaixamento.

Para Dado, parte das dificuldades enfrentadas por Micale esteve relacionada à falta de opções no elenco. "O mais importante para mim é darmos opções para o treinador. Ele estava sem opções. Sabíamos que igualávamos os jogos taticamente, fazíamos bons jogos fora de casa, mas nosso comandante olhava para o banco do adversário e sabíamos que, nesse momento, começava a ficar desigual", afirmou, em entrevista à Paiquerê 91,7.

O dirigente também reconheceu erros na janela de transferências realizada após as saídas de Bruno Santos e Iago Teles, que estavam entre os principais jogadores do time. A situação foi agravada por lesões e pela necessidade de que alguns reforços assumissem responsabilidades maiores do que as previstas inicialmente.

"O contexto da janela foi muito doloroso para a gente porque perdemos jogadores por negociações, mas também por lesão. Então, o Micale teve um sacrifício muito grande. Às vezes, ele não tinha um extremo no banco, faltavam opções", disse.

Dado comentou jogadores criticados após chegarem ao clube, como Willian Pottker, Pablo Dyego e Raí Nascimento, e afirmou que a expectativa sobre os reforços também acabou influenciando o desempenho. "Essa janela foi no desespero de que o cara precisava chegar e resolver. Pottker estava um mês e meio sem trabalhar coletivamente. Pablo Dyego, no São Bernardo, não atuava com tanta frequência. O Raí Nascimento era para compor elenco. Seria nosso quinto jogador da posição, mas chegou uma hora que não tínhamos outro. Passou a ser primeiro, segundo."

Apesar das dificuldades, o dirigente afirmou que os erros são avaliados internamente. "As reflexões em cima dos erros acontecem e assumimos todos eles, mas com alguns o erro ainda não se caracteriza", completou.

Mudanças no comando

Dado também explicou as trocas de treinador realizadas pelo Londrina desde o fim da Série C do ano passado. O planejamento inicial para 2026 foi feito com Roger Silva, treinador do acesso, que deixou o clube para assumir o Sport antes do início da temporada. Em seguida, Allan Aal assumiu o comando, mas acabou substituído por Rogério Micale após uma sequência de resultados negativos.

Segundo Dado, a saída de Roger alterou o planejamento que havia sido construído para a temporada. "Trabalhamos em conjunto e tínhamos uma montagem de elenco voltada para o Roger. Era nosso desafio, e é meu maior aprendizado na função. Eu preciso pensar com a cabeça de outro treinador", destacou o dirigente, que se reuniu em Campinas com Lucas Magalhães, executivo de futebol, e o próprio Roger Silva, logo após a decisão com a Ponte Preta, sacramentando ali a permanência do técnico, que meses depois foi interrompida pela proposta do Sport.

Com pouco tempo para reformular o projeto, o clube apostou em Allan Aal. "Não tínhamos nomes disponíveis no mercado e precisávamos encontrar algo similar para não jogar o trabalho perdido fora", explicou.

A troca, porém, exigiu novas adaptações. "As ideias são diferentes, não são as mesmas. O Allan muda a plataforma, a preferência por outro esquema, a necessidade por um meia, as diferenças de características de jogadores. Tudo isso é uma mudança que impacta na construção do ano."

Dado considera que a organização da temporada poderia ter sido diferente caso Roger não tivesse saído ou caso a situação após o fim da Série C fosse outra. "Se pudéssemos ter feito a troca do comando no final do campeonato da Série C do ano passado, talvez tivéssemos 50% menos de dificuldade por conta dos ajustes que foram feitos com o carro andando."

Mesmo com a sequência de resultados negativos, o dirigente afirmou que os números de desempenho não apontavam Micale como o principal problema. "Temos algum controle de performance que mostrava que não era o treinador o problema. Acredito muito na permanência do Londrina na Série B", declarou.

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