Micale defende Neymar de críticas
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terça-feira, 09 de agosto de 2016
Sérgio Rangel<br>Folhapress 
Salvador - O técnico da seleção brasileira olímpica, Rogério Micale, preferiu defender o atacante Neymar, que evitou a imprensa e deixou o estádio sem dar entrevistas após o empate sem gols contra o Iraque.
Na entrevista coletiva de ontem, o treinador fez questão de proteger o jogador do Barcelona, pediu aos jornalistas para evitarem a busca "por vilões" e chegou a declarar que o ex-santista poderia abandonar a seleção, caso seja novamente criticado.
"Se não analisarmos friamente, não tivermos uma transição dos craques, não os respeitarmos, logo eles não vão querer estar conosco. O Neymar quis estar na Olimpíada, e volto a dizer: ele assumiu uma situação e é muito cobrado por isso com 24 anos. São fatos para refletir", afirmou Micale.
Um dos mais experientes do grupo, Neymar não esconde o descontentamento com as críticas. No domingo, após o tropeço diante dos iraquianos, ele deixou o campo sem dar entrevista. Na terça-feira, o jogador não participou da entrevista coletiva marcada pelos organizadores do evento.
Até agora, ele só participou de uma coletiva. Foi em Teresópolis, quando o time ainda se preparava para a disputa do torneio. Renato Augusto, que chegou com quase dez dias de atraso, já participou de três coletivas.
Na última segunda, Neymar foi hostilizado por torcedores ao deixar o hotel em Brasília. Já na Fonte Nova, o técnico lamentou as críticas ao jogador do Barcelona, que é o capitão da equipe.
"Para avançar em algo melhor pra nosso futebol, nossa discussão deveria ser mais aprofundada, e não tão superficial em pontos que não agregam nada em situações de jogo", disse o treinador.
"Perdemos muito tempo com isso. Sabemos que não são todos, há perguntas aqui sensacionais, mas há outros comportamentos que são ruins. Respondemos por educação. Temos que parar de achar vilões", acrescentou.
O treinador disse que a pressão pelo resultado na Olimpíada "cresce numa esfera desproporcional".
"Existe uma expectativa muito grande, o Brasil é pentacampeão mundial, imagino seleções que não ganham nada há 20 anos. Lá tinham que matar todo mundo do ponto de vista dessa pressão", afirmou o técnico.
"Existe uma construção de algo para se alcançar em algum momento. Se quando houver um resultado inesperado acharmos que nada presta, nunca iremos avançar", completou.


