O técnico Rogério Micale deixou claro, em sua apresentação, que retornar ao Londrina era um desejo antigo. Revelado pelo clube como goleiro e com passagem nas categorias de base há mais de duas décadas, ele afirmou que interrompeu negociações avançadas com uma seleção principal assim que recebeu o telefonema do Tubarão.

“O Londrina, quando abriu a possibilidade de retorno ao Brasil, mexeu comigo. Eu quis estar aqui. Estava envolvido em outro projeto, que chegou a ficar muito próximo de um acerto, mas optei pelo Londrina. Não vou me arrepender. As seleções vão voltar. No mundo olímpico, quem tem um trabalho melhor que o meu? Ouro e semifinal com o Egito. Mas talvez o Londrina nunca chamasse, e eu não realizasse meu sonho de voltar para a cidade”, afirmou o treinador de 56 anos, de volta ao futebol brasileiro após seis anos.

Desde 2020, Micale trabalhou na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e na seleção olímpica do Egito, da qual saiu no fim de 2024 após levar a equipe às semifinais dos Jogos Olímpicos. Ele conta que sempre acompanhou o Londrina, mesmo a distância. “Tinha conversado com outros clubes do Brasil, mas minha carreira acabou se desenhando para o exterior. Queria voltar um dia, só não sabia quando. Quando surgiu a oportunidade, eu já acompanhava o Londrina, mesmo estando fora. Tenho amigos e família aqui, gente de longa data. Sempre acompanhei: na subida, na queda, em todos os momentos. Comemorava mesmo estando longe.”

Micale admite que seu método de trabalho tem foco em médio e longo prazo, especialmente no desenvolvimento de jovens jogadores. Ainda assim, sabe que precisa dar respostas rápidas para tirar o time da zona de rebaixamento. “Já passei por situações difíceis no futebol e posso contribuir para que saiamos da atual. Futebol é construção. O que dá consistência é progresso. Venho com expectativa, mas sei que preciso de resultado imediato para trazer tranquilidade. Com essa tranquilidade, construiremos o fortalecimento do clube”, afirmou.

Apesar da apresentação, Micale não estará na área técnica contra o São Bernardo nesta terça-feira (12), às 19h30, no VGD. Por decisão da diretoria, o comando segue com o auxiliar permanente Daniel Azambuja, acordo firmado antes da chegada do novo treinador. A estreia oficial de Micale está marcada para a próxima segunda-feira (18), diante da Ponte Preta, em Campinas.

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Micale repetiu mais de uma vez que seu foco imediato é a recuperação do time na Série B, algo que, segundo ele, será construído passo a passo.

“Minha maior preocupação agora é sair da zona de rebaixamento; depois, sim, pensar em outras coisas. Primeiro é solidificar uma ideia e, só então, buscar algo maior. Para termos tranquilidade, precisamos vencer e deixar essa zona terrível em que nos encontramos. Lá dentro, a pressão e a insegurança são constantes. Precisamos sair dali. Com trabalho consistente, conseguimos estabelecer um processo, e isso é fundamental”, afirmou.

O treinador foi sincero ao avaliar o elenco. Disse que, pelo que observou, o grupo foi planejado para o estilo de jogo de Roger Silva e que é possível seguir um caminho semelhante ao do ex-técnico do Tubarão, que deixou o clube para assumir o Sport — e já acabou demitido.

“Eu estudei o modelo de jogo do Allan para entender sua proposta, e também o do Roger, porque a equipe foi montada dentro das características dele. Confesso que vou tentar tirar o melhor de cada cenário. Claro que tenho minhas ideias, construindo um modelo competitivo para dar segurança e buscar dias melhores. Queremos sair e permanecer fora da zona. Tenho minhas convicções, mas sei que preciso de uma resposta imediata. E vi que o modelo que o Roger utilizou no passado se adapta ao elenco. Então, vamos moldar a equipe da melhor maneira possível, extraindo o melhor de cada jogador para que o time seja competitivo”, explicou.

Ele reforçou que o grupo tem potencial e que será necessário equilibrar juventude e experiência. “Temos que passar segurança aos mais jovens e contar com os mais experientes para caminhar conosco. Eles têm bagagem dentro e fora de campo, sabem lidar com pressão. Precisamos de resultados imediatos, mas também manter um trabalho de médio e longo prazo. Ainda estou avaliando o elenco, estudando muito, observando individualidades e onde cada um rende melhor, para extrair o máximo de cada atleta”, disse.

Micale destacou que dedicação não faltará. “Carrego a experiência que adquiri e aprendi com os erros da carreira. Isso não garante nada, mas me sinto mais preparado. Sei onde quero chegar e conheço o processo de início, meio e fim de um trabalho. Tenho metodologia, sei o que o futebol permite controlar. Dentro do caos do futebol, precisamos ter alguns controles para que todos saibam o caminho. Isso eu sei fazer.”

“Não existe milagre”

O novo técnico do Londrina frisou que a evolução virá com o tempo, e que milagres não existem no futebol. Admitiu que, por ter sido criado em Londrina, também deseja soluções rápidas, mas reforçou que todo processo exige construção.

“Trago uma bagagem do que vi pelo mundo e posso aplicar isso no Londrina. Mas digo a vocês: é tempo. Não existe milagre. Vamos buscar resultados imediatos, é óbvio que todos querem ganhar. E eu, como local, quero vencer ainda mais. Vamos tentar fazer algo, mas sei que não há trabalho sustentado sem processos bem definidos e consistentes. É isso que posso oferecer”, afirmou.

Ele foi breve ao comentar seus insucessos em Atlético-MG, Paraná e Figueirense, passagens curtas nas Séries A e B que não deixaram números favoráveis na carreira.

“Não podemos agir só pela emoção; assim, não saímos do lugar. Não considero ruins minhas passagens por Paraná, Atlético-MG ou Figueirense. Fizeram parte do meu aprendizado. Tudo foi um processo que me trouxe mais clareza, e hoje estou melhor do que estava no ano passado. A vida de cada um passa por ciclos; nem sempre vocês chegaram onde estão da forma como gostariam. Comigo também foi assim”, completou.

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