Bem que o técnico mexicano, Manuel Lapuente, avisou seus jogadores: ‘‘Não acreditem em profecias’’. Era uma alusão ao fato de que um dos mais célebres adivinhos de seu país havia previsto que a Seleção Mexicana venceria seu primeiro jogo. Acertou. Empataria o segundo. Acertou de novo. Mas perderia ontem da Holanda ontem em Saint-EtiSnne. Errou. Deu 2 a 2.
Com o resultado, México e Holanda ficaram com as duas vagas do Grupo E para as oitavas-de-final da Copa 98. O México, graças ao empate que a Coréia arrancou da Bélgica em Paris.
Mais que palavras, no entanto, Lapuente pôs em campo, aos 9 minutos do segundo tempo (a Holanda vencia por 2 a 0), o que se revelaria o seu verdadeiro amuleto: o centroavante Ricardo Peláez, o mais alto da equipe (1,86 m). Altura que seria providencial: aos 29, na cobrança de escanteio, Peláez cabeceou da entrada da área e a bola foi passando por todos os jogadores, até entrar.
‘‘Quando o técnico me disse que eu ia entrar em campo, sabia o que tinha que fazer’’, comentou Peláez após a partida. Fez, e os torcedores e jogadores mexicanos passaram a acreditar em outro tipo de bruxaria, a capacidade de virar o resultado, como ocorrera contra a Coréia (de 0 a 1, o México passou a 3 a 1) e contra a Bélgica (de 0 a 2, foi para 2 a 2).
Com os quatro minutos de acréscimo que o árbitro daria, foram 19 minutos de puro coração contra uma Seleção Holandesa que, mesmo surpreendida, continuou jogando como se usasse fraque, e não camiseta e calção. Quem ajudou a definir o marcador foi, de novo, o amuleto Peláez. De cabeça, outra vez, ele jogou a bola na entrada da área, o líbero Stam se atrapalhou com a bola e deixou que ela chegasse até Hernández, livre diante do goleiro. Final da história: o terceiro gol de Hernández na Copa, a segundos do apito final. Festa nas arquibancadas. Hernández correu até a lateral do campo para comemorar num gesto de quem parecia comemorar o título.
Tudo somado, Hernández e Peláez acabaram ofuscando quem deveria ser a estrela da festa, o holandês Dennis Bergkamp, terceiro melhor jogador do mundo, atrás de Ronaldinho e Roberto Carlos. A estrela até que brilhou logo de saída: aos 4 minutos, do meio-do-campo, tocou com perfeição para Cocu entrar livre e fazer o primeiro gol holandês. Catorze minutos depois, era a vez de Cocu fazer o passe para Ronald de Boer, na grande área, livrar-se de três zagueiros mexicanos e marcar o segundo.
Ao final de jogo, milhares de torcedores mexicanos e holandeses comemoraram a classificação das duas seleções para as oitavas-de-final da Copa nas principais ruas e praças de Saint-Etienne. Os torcedores trocaram camisas, tiraram fotografias e dançaram juntos em um espaço de 30 quadras que separam o estádio da Praça do Hotel de Ville, sede da prefeitura da cidade.
Eliminados Bélgica e Coréia do Sul empataram por 1 a 1, ontem, em Paris, no jogo que marcou a despedida das duas seleções da Copa do Mundo. A Bélgica precisava vencer para passar para as oitavas-de-final do Mundial. Com o empate, a equipe belga ficou com apenas três pontos e terminou em terceiro lugar.
A Bélgica iniciou o jogo no ataque, pois precisava da vitória para prosseguir na Copa. Logo aos 7 minutos, Nilis aproveitou o rebote após um escanteio batido por Oliveira e completou para o gol, abrindo o placar. A Bélgica dominou a Coréia do Sul durante todo o primeiro tempo, mas falhou seguidamente no momento de concluir as jogadas. No intervalo, o brasileiro naturalizado belga Oliveira foi substituído por Mpenza, na esperança reforçar o ataque belga.
A Coréia do Sul voltou para o segundo tempo decidida a estragar a festa da Bélgica, indo para a frente e levando perigo ao gol adversário. Os belgas reagiram. Aos 5 minutos, em um contra-ataque, Wilmots entrou sozinho e desviou a bola do goleiro sul-coreano, mas a bola bateu no travessão e foi recuperada pela defesa. Aos 27 minutos do segundo tempo, a pressão sul-coreana foi premiada com o gol de empate, marcado por Yoo.


FICHA TÉCNICA
Holanda 2
Van der Sar; Reiziger, Stam, Frank De Boer e Numan (Winter); Jonk (Bogarde), Ronald De Boer, Cocu e Davids; Bergkamp (Hasselbaink) e Overmars. Técnico: Guus Hiddink
México 2
Campos; Suárez, Joel Sánchez (Ricardo Peláez), Davino e Carmona; Villa, Ramírez, García Aspe e Blanco; Hernández e Luna (Arellano). Técnico: Manuel Lapuente
Árbitro: Abdul Rahman Al Zeid (Arábia Saudita)
Local: Estádio Geofroy-Guichard, em Saint-Etienne
Público: 33 mil pagantes
Gols: Cocu aos 4 do 1º, Ronald de Boer aos 18 do 1º, Peláez aos 28 do 2º e Hernández aos 45 do 2º
Cartão Vermelho: Ramírez (México)


FICHA TÉCNICA
Bélgica 1
Walle; Deflandre, Staelens, Vidovic e Borkelmans; Scifo (Van der Elst), Clement (L. Mpenza), Van Kerckhoven e Wilmots; Nilis e Oliveira (M. Mpenza). Técnico: Georges Leekens
Coréia do Sul 1
Byung-Ji Kim; Sang-Hun Lee, Min Sung Lee, Myung-Bo Hong e Song-Yong Choi (Lim Saeng Lee); Seok-Ju Ha, Sang-Chul Yoo, Do-Keun Kim (Jong Soo Ko) e Tae-Young Kim; Yong-Soo Choi e Jung-Won Seo. Técnico: Kin Pyung Seok
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (Brasil)
Local: Estádio Parque dos Príncipes, em Paris
Gols: Nilis, aos 7 do 1º, e Sang-Chul Yoo, aos 27 do 2º

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