Agência Estado
De Guadalajara
Os mexicanos elegeram Ronaldinho Assis como a grande estrela da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, principalmente pelo gol marcado contra a Venezuela na Copa América. O torcedores de Guadalajara não conhecem a maioria dos jogadores do Brasil, mas o atacante do Grêmio já virou atração à parte. Pedidos de autógrafos, fotos, entrevistas, e Ronaldinho começa a saborear sua fama fulminante. Ontem, ele teve uma conversa em particular com Wanderley Luxemburgo que mais uma vez o aconselhou a não se deslumbrar com o sucesso. O Brasil estréia sábado na Copa das Confederações contra a Alemanha.
O termômetro do pensamento do jogador, para Luxemburgo, são as respostas ao assédio da imprensa. Nisso, Ronaldinho está sendo um craque. O garoto de 19 anos mantém a humildade e a obviedade nas respostas. Na entrevista coletiva concedida ontem, o jogador usou o mesmo discurso em perguntas diferentes. ‘‘Só estou preocupado em jogar, aproveitar a oportunidade que o treinador está me dando e poder ajudar a Seleção Brasileira a conquistar mais um título’’, discursou.
Luxemburgo ficou satisfeito com as respostas. ‘‘Desde que ele chegou à Seleção suas respostas revelam um jogador que quer conquistar seu espaço na equipe’’, destacou o técnico. ‘‘Não é por causa de um gol bonito ou de um jogo que o jogador adquire o direito de ter lugar no time’’, acrescentou. ‘‘O que vai determinar isso é a sequência de trabalho dentro da seleção’’.
Ronaldinho tem procurado ouvir os conselhos do treinador e dos seus companheiros, especialmente Émerson com quem convive desde os tempos do Grêmio. ‘‘O Émerson me lembrou que quando eu jogar bem todo mundo vai me colocar lá em cima’’, revelou Ronaldinho. ‘‘No entanto, na primeira atuação ruim que tiver vou ter de estar preparado para as críticas que virão para cima de mim’’.
Luxemburgo anunciou ontem que o volante Émerson será o capitão da equipe na Copa das Confederações. A boa participação do jogador do Bayer Leverkusen na Copa América deu a treinador a confiança de ter um novo líder em campo para orientar os jogadores mais novos como Ronaldinho Gaúcho, Roni, Warley, Marcos Paulo e Luís Alberto.
O treinador comentou que jogadores como o Émerson, Vampeta e Dida terão a missão de auxiliar os mais jovens para que eles possam ir sentindo o clima da Seleção Brasileira. ‘‘É um processo natural que os mais velhos ajudem os mais jovens’’, afirma Luxemburgo. ‘‘Eles já estão identificados com a nossa filosofia e podem ajudar os demais a assimilar o trabalho’’.
No primeiro treino da equipe, ontem pela manhã, no clube Chivas de Guadalajara, foi possível perceber o resultado da longa viagem pela qual a maioria dos atletas passaram. Foi apenas um treino leve para desintoxicar os músculos e recondicionar o corpo aos exercícios após duas noites mal dormidas. ‘‘Senti que o pessoal estava meio carregado, o Dida demorava muito para se jogar no chão’’, comentou o preparador de goleiros Paulo César Gusmão. ‘‘Não é fácil, dormimos esta semana em cinco lugares diferentes’’, acrescentou o consultor-técnico Candinho.

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