Guadalajara - O maior adversário de Thiago Pereira nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara não é nenhum nadador em especial, mas seu próprio corpo. Ele tem um metabolismo que lhe dá muita energia na hora da competição, mas, ao mesmo tempo, o torna muito propenso a vômitos e dores musculares que, por vezes, o prejudicam na fase final de suas provas.
''O que a gente analisou fora d'água é que, quando ele começa a acumular acidose no músculo, ele tem dificuldade de manter o ritmo forte da prova dele. E isso ocorre é justamente no final de prova. A gente está procurando criar mais esta situação nos treinos e cobrar dele a eficiência em manter a intensidade do nado. Mas a gente fez dois ou três treinos nesse sentido (antes do Pan)'', explicou o novo treinador de Thiago Pereira, Alberto Silva.
A produção de ácido lático, ou lactato, é o principal sistema de produção de energia utilizado em atividades físicas de duração entre 30 a 90 segundos, como, por exemplo, corridas de 400 metros, provas de natação de 200 metros ou futebol. O ácido produzido no músculo vai para a corrente sanguínea e de lá, para o fígado, onde é removido do sangue e metabolizado. Se o fígado não trabalha rápido o suficiente para eliminar o ácido do corpo, há o seu acúmulo nos músculos, uma situação chamada de acidose. Ela tem como característica causar dor e desconforto logo após o exercício. É por isso que Thiago Pereira e alguns atletas submetidos a esforço intenso passam mal depois de terminada a competição, enquanto outros falam em dor depois da atividade concluída.
''O Thiago produz muito lactato, o que é por um lado é bom. Quanto mais lactato o corpo produz, mais veloz'', explica o médico da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Marcus Bernhoft. ''A questão é que se faz necessária depois da competição uma boa remoção deste lactato, uma vez que, após 24 horas, a tendência é o atleta sentir dor muscular.''
Segundo Marcus Bernhoft, a única forma de combater a acidose é colocar o nadador ''soltar'', ou seja, nadar em baixa velocidade por um tempo até o corpo transformar todo o lactato acumulado em energia.
Para complicar a situação de Thiago Pereira, há um fenômeno que ele não enfrentou quando ganhou seis medalhas de ouro no Pan do Rio, há quatro anos: a altitude - Guadalajara fica a 1.500 metros acima do nível do mar. ''Os atletas descrevem assim: é como se o peito estivesse apertado'', explicou Alberto Silva.
Thiago Pereira precisa gerenciar toda esta situação para ganhar medalhas nas oito provas que está disputando no Pan de Guadalajara - até a noite desta quarta-feira, quando faria a final dos 200 metros medley, ele já tinha conquistado três de ouro e uma de bronze. Diante da maratona, ele admite que já sente o cansaço e, em alguns momentos, algumas dores, mas não desiste de se tornar o recordista brasileiro de títulos na história dos Jogos Pan-Americanos.

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