Mestre em encordoar raquetes de tênis
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terça-feira, 07 de outubro de 2008
Jaime Kaster<br>Equipe da Folha 
Londrina - Quem passar pelas quadras de tênis do Londrina Country Club esta semana vai se deparar com uma cena interessante. Ao lado da mesa central da organização do Correios Tenis Cup - torneio internacional que está reunindo na cidade mais de 300 atletas de até 18 anos da América do Sul - há um quiosque de uma loja onde os funcionários não fazem outra coisa senão consertar raquetes. É raquete furada e rasgada que não acaba mais - e todas estragam durante os jogos e treinos no próprio clube.
O responsável pelo encordoamento das raquetes é Elcio Gazola, 27 anos, empresário que durante muitos anos ganhou a vida trabalhando como boleiro. Aos poucos foi aprendendo a arte de ''amarrar'' os fios de nylon nas raquetes, ganhou projeção e hoje é proprietário da loja Tennis Shop, de Londrina. Além da sua loja, só há outra na cidade que faz esse serviço.
Na empresa trabalham ele, uma irmã, um funcionário e o seu irmão Emerson, que faz esse tipo de serviço desde o início da década de 90. Há 12 anos, ele ensinou a Elcio os segredos de um bom encordoamento. ''Não é tão difícil. Mas precisa ter paciência e o principal é ter e saber usar essa máquina'', disse Elcio, apontando para o equipamento usado para fixar as raquetes, que lhe custou R$ 7 mil.
Elcio conheceu o tênis como boleiro, aos 7 anos, e até os 15 se dividia entre o trabalho de catar bolas e os treinamentos para torneios no Estado. Aos 15 anos, decidiu parar de competir para se dedicar apenas ao trabalho com raquetes. E o ganho não é nada desprezível. ''Um encordoador conserta em média 20 raquetes por dia. Ao custo de R$ 10 por raquete, fora o lucro que se tem com as cordas, isso dá um bom lucro no final do mês'', informou Elcio.
No torneio no Country, sua empresa é exclusiva neste trabalho. Nos jogos do fim de semana, por exemplo - o torneio começou no sábado e termina no próximo domingo - Elcio chegou a consertar 50 raquetes num só dia. ''Com a pressão que o jogador imprime sobre a bola, o meio da raquete acaba cedendo e algum fio se rompe. Daí tem que trocar o encordoamento inteiro'', explica.


