Maurício Kobayashi, no auge dos seus 62 anos, ministra até amanhã ''uma clínica de tênis de mesa'' para 40 jovens nas dependências da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel). Para quem não conhece, Kobayashi é o treinador de Hugo Hoyama, atleta brasileiro com maior número de medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos - foram 9 no total. Ele também já trabalhou com Cláudio Kano (falecido em 1996), que obteve destaque internacional principalmente nos anos 90.
De acordo com Kobayashi, a ideia é ensinar algumas dicas para os londrinenses e observar o nível dos atletas. Ele conta que a primeira impressão foi positiva e que pode voltar para ministrar um módulo mais avançado do tênis de mesa, caso os jovens mantenham interesse. ''Como meu trabalho não visa retorno financeiro, se a turma se animar eu volto'', promete.
Segundo ele, a entrada tardia no esporte impediu que a carreira como jogador decolasse e por isso resolveu se dedicar a atividade de treinador ainda aos 17 anos. ''Logo na primeira turma estavam Cláudio Kano e Hugo Hoyama'', relembra. Kobayashi afirma que tinha como objetivo chegar ao nível internacional e o êxito foi possível graças à ajuda financeira dos familiares e, sobretudo, com a dedicação dos atletas.
O experiente treinador cita a trajetória de Hugo Hoyama como parâmetro para os interessados em seguir a carreira de mesatenista. Aos nove anos, Hoyama passou a se dedicar aos treinamentos, concentrados em quatro meses por ano e divididos em atividades de preparo físico (quando corria cerca de 10 quilômetros por dia) e trabalhos com a raquete.
''Por causa deste trabalho, Hoyama chegou cedo à seleção e com 16 anos estava escalado para a equipe adulta de tênis de mesa'', recorda Kobayashi. Para ele, esta foi a fase mais marcante da trajetória do mesatenista. Foi quando Hoyama conquistou sua primeira medalha internacional, no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos - uma medalha de bronze. Hoje ele é recordista brasileiro na competição com 9 medalhas de ouro.
Com base na trajetória como treinador, a lição que Kobayashi costuma passar para os alunos é a perseverança. Quando o jovem realmente sonha em tornar-se mesatenista é fundamental saber que o retorno em campeonatos demora para chegar. Ele lembra que no princípio o desânimo era constante, porque a equipe brasileira não conseguia obter títulos no circuito internacional. ''Na época, sempre me perguntava se estava valendo a pena se dedicar tanto'', pontua.
Porém, Kobayashi afirma que depois de quatro anos insistindo vieram os primeiros resultados positivos. ''Por isso incentivo que a turma continue se dedicando aos treinamentos. Antes de desistir, é importante esperar pelo menos cinco ou seis anos, porque o resultado é demorado'', destaca.
Mas mesmo que a perseverança vença os percalços pela conquista do respaldo internacional, do lado financeiro o retorno ainda deixa a desejar. O treinador cita o exemplo de Hugo Hoyama que enfrenta dificuldades para sobreviver de patrocínios como atleta. Ele destaca que, como a escolha por uma profissão coincide com a época que o mesatenista deve aumentar a dedicação aos treinamentos, a escolha entre esporte ou profissão é fundamental. ''Se o jovem quer fazer educação física é possível conciliar, mas caso contrário fica difícil.''

mockup