Mestras do tabuleiro
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sábado, 16 de agosto de 2014
Rafael Souza<br> Reportagem Local 
Maior campeão da história do xadrez, o russo Garry Gasparov costuma dizer em suas palestras para empresários que o mundo dos negócios pode se assimilar à modalidade. Segundo ele, em ambos é preciso conhecer o padrão de jogo e o estilo do adversário, além de seu desempenho nas últimas negociações.
Uma equipe de Londrina parece estar seguindo à risca os ensinamentos do maior mestre da modalidade. O trio formado pelas gêmeas Beatriz e Catarina Braga, e Juliana Ishikawa, todas de 16 anos, ainda não entrou para o mundo dos negócios, tampouco teve o privilégio de estar em um evento comandado por Gasparov, mas quando o assunto é xadrez ninguém tem levado mais vantagem que elas nos Jogos Escolares do Paraná (JEP´s).
A hegemonia teve início há três anos. Nos Jogos de 2012, as gêmeas, ainda sem Juliana no time, passaram ilesas por todas as fases e ratificaram o primeiro título na fase final. De lá para cá, a evolução rendeu mais conquistas e há 15 dias, em Foz do Iguaçu, elas confirmaram o domínio e venceram nas categorias por equipe e geral. A conquista, no entanto, não as garante na grande final nacional do evento, que será realizada em João Pessoa, em novembro, pois só a campeã individual tem esse direito.
Apaixonada por xadrez, Catarina é a idealizadora da equipe. Foi ela quem convenceu, primeiro a irmã, depois Juliana, a começarem a jogar. Até então, a única coincidência entre as meninas era o gosto pela matemática. Mas é claro que isso não foi à toa. E talvez até explique um pouco do sucesso delas. "O xadrez exige muito cálculo, você tem que pensar em muitas possibilidades e escolher a melhor", compara Juliana. "A parte psicológica é muito importante também. Não há como jogar uma partida se, por exemplo, você estiver um pouco abalada ou preocupada com outro problema", acrescenta Beatriz.
O técnico Tiago de Almeida, que comanda a equipe de Londrina com mais de 20 atletas para competição, aponta que o sucesso delas está na qualidade técnica. "É o conjunto. É difícil formar uma equipe com três boas atletas. Geralmente, as equipes têm uma ou duas boas, e no caso delas, as três têm estilos que se casam. Elas são talentosas e treinam muito também, o que é fundamental no caso do xadrez", exalta o treinador.
Aí deve ter alguém pensando também que Beatriz e Catarina tiram proveito do fato de serem gêmeas. Mas elas mesmo dizem que não é bem assim. "Às vezes ajuda, às vezes atrapalha. Até porque no xadrez não tem muito essa. A gente joga numa mesa, uma do lado da outra, e não é permitido conversar em nenhum momento", rechaça Catarina.
Elas não escapam é da confusão das adversárias. O que não falta são registros de histórias hilárias. "Teve uma vez que sentei para jogar com uma menina e ela falou: 'já joguei com você'. Eu falei: 'não, você jogou com a minha irmã'. No final, tive que mostrar até o meu RG para provar que ela não tinha jogado comigo", relembra Beatriz. Só quem joga e as conhece há muito tempo é capaz de identificar quem é quem. "Elas dizem que não, mas são muito iguais", diz Juliana.
E se quiser deixar as duas, e também Juliana, muito bravas basta dizer que o xadrez é esporte de 'nerds'. "Quem vê de fora ainda fala isso, mas aí vem jogar e vê que não é nada disso. Ainda tem muito preconceito. Quando vamos para os campeonatos, a turma se reúne e fica até 3 horas da manhã tocando violão, cantando. É como nos outros esportes", defende Juliana. "É um esporte como qualquer outro", reforça Catarina.
O trio representa o Colégio Interativa, de Londrina, que é atualmente o principal polo da modalidade na cidade. De lá também é Amanda Akina Miyasaki, de 13 anos, que venceu a seletiva estadual e vai representar o Paraná na modalidade individual na fase final dos Jogos Escolares Brasileiros, que serão realizados em Londrina, de 4 a 13 de setembro.


