Praticamente encerrada a primeira rodada da Copa da França, vimos pouco futebol e muito nervosismo. Das chamadas grandes seleções, aquelas favoritas para a conquista do título, faltam estrear a Inglaterra e a Alemanha. Dos sul-americanos, apenas a Colômbia ainda não jogou e vai encarar a Romênia.
Brasil, Itália, Espanha, Argentina e Holanda, que estão na lista dos mais prováveis campeões, foram bastante discretos. Todo mundo diz que a tensão da estréia dificulta a boa apresentação. Mas não é só isso.
O Brasil fez um gol logo aos quatro minutos e jogou bem na primeira meia hora. Depois, acomodou-se, achando que o jogo já estava ganho e fez pouco do adversário até levar o gol de empate. Só voltou a ter bons momentos na partida com a entrada de Denilson. Menos do que o nervosismo da estréia, foram a acomodação e o pouco caso com o adversário que atrapalharam.
O mesmo aconteceu com a Argentina, ontem. Fez o gol e vinha jogando bem, dando a impressão que venceria com facilidade. Mas também pensou que poderia fazer o segundo gol na hora que bem entendesse e os jogadores relaxaram e deixaram o Japão, como se diz na gíria dos boleiros, ‘‘gostar do jogo’’, isto é, se sentir mais à vontade para partir para o ataque.
A melhor partida da Copa foi Espanha e Nigéria. Um jogo de cinco gols, cheio de emoções, bastante leal, com jogadas de efeito dos dois lados. A Espanha começou melhor, ficou por duas vezes à frente do placar, mas deixou a Nigéria empatar e virar a partida. Agora, terá que vencer o Paraguai ou correrá o risco de deixar a França mais cedo.
A Nigéria é um caso à parte. Joga um futebol simples taticamente e não se preocupa muito com o nome ou a volúpia do adversário. Mantém sempre dois atacantes e chega próximo da área adversária com os alas, o meio-de-campo e até um zagueiro. Em certo momento da partida, a Espanha perdeu a oportunidade de colocar dois gols de vantagem e a Nigéria nem sonhou em ‘‘arrecuá os arfes’’.
A expectativa para nós, brasileiros, evidentemente, fica para a segunda partida, amanhã, contra os velozes e habilidosos marroquinos, comandados por Hadji. Zagallo teve quase um semana para acertar os problemas da defesa e providenciar as coberturas para os avanços dos zagueiros. Se forem como a Nigéria, não jogarão mais recuados só porque enfrentarão o Brasil. Normalmente todas as seleções respeitam o Brasil, às vezes mais do que o necessário, e por isso se mantêm mais na defesa do que no ataque. Poucas são as que podem jogar com a brasileira de igual para igual. Mas os africanos jogam um futebol ‘‘irresponsável’’ e isso pode nos surpreender, mas também pode dar os espaços que Ronaldinho e Denilson ou Edmundo ou até mesmo Bebeto não tiveram contra a Escócia. Vamos torcer para que aconteça a segunda opção.

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