Meninas vencem tabus e preconceitos
Não foram poucas as vezes que elas deixaram as quadras sob vaias e insultos. Na época do surgimento do futsal feminino na cidade foi preciso vencer um inimigo que não é parado por esquemas táticos ou marcação individual. Quem se aventurava a romper os tabus da época sentia na pele os efeitos do preconceito. ''Na década de 80, tinha muito preconceito. Tudo o que era jogado com os pés era visto como esporte masculino, principalmente o futebol'', lamenta a professora e técnica Vanda Sanches.
Ela lembra de alguns casos, na época do Maquino, em que foram hostilizadas. ''Acontecia no Palácio (do Futsal), quando a gente escutava 'brincadeiras', eram xingamentos... Então, a gente ficava bastante chateada porque nossa intenção era se divertir, aliviar a tensão'', disse. Sempre após uma agressão verbal, vinha o pensamento de desistir e acabar de vez com a história. ''Pensamos muitas vezes em não continuar. Coisas pesadas nunca aconteceram, mas diziam que coisa de mulher é na cozinha, e algumas vezes chegavam a falar que a gente era sapatão'', lembra.
Vanda admite que na década de 80 quem praticava o futsal tinha mesmo um ''biotipo'' mais masculino. ''Era um tempo em que a maioria das meninas, não todas, eram mais masculinizadas. Hoje não, as meninas da minha equipe, por exemplo, são bem vaidosas, se preocupam com o visual, e até mesmo se arrumam antes de uma partida'', pondera a professora.
A pivô Jayne, veterana no futsal paranaense, também relata situações onde foram marginalizadas. ''Isso acontecia sobretudo nas primeiras competições, na época que ainda elas não eram oficiais, seja em cidade grandes ou no interior. Tivemos que vencer o preconceito da sociedade e até mesmo da própria família'', observa.
A professora Vanda esclarece para mães de meninas que gostam de jogar futebol que hoje em dia este problema foi superado. Existem escolas na cidade (de clubes, por exemplo), onde o ambiente é absolutamente normal, a exemplo do que se observa em outras modalidades. ''O preconceito faz parte do passado'', garante. (G.G.)





