Pela segunda vez consecutiva, a apucaranense Andreza Navarro vai para Santos disputar uma vaga na escolinha que revelou recentemente a atacante Ketlen e a zagueira Janaína. Inclusive, esta última passou na mesma peneirada que Andreza participou para integrar o elenco das Sereias da Vila. Com 16 anos, pegou gosto pelo futebol nas peladas no intervalo das aulas no colégio aos 10 anos e agora sonha em virar atleta profissional.
A garota é uma das 56 paranaenses que vão mostrar suas habilidades entre pelo menos 800 inscritas na seletiva dos próximos dias 21 e 22, no centro de treinamentos dos Meninos da Vila, do Santos FC, no litoral paulista. De Londrina serão 20 meninas, que treinam na escolinha Robinho Esporte Clube, no Jardim Leonor, e querem se dar bem jogando futebol.
Devido ao alvoroço em torno da modalidade, por conta da Taça Libertadores da América, disputada no Brasil (e vencida inclusive pelo Santos) e do quarto título de melhor do mundo recebido pela atacante Marta, o futebol feminino atravessa uma de suas melhores fases. Para este ano, são mais de 800 garotas de 25 estados inscritas, o que significa um número maior que o dobro de 2009, que recebeu 400 meninas entre 14 e 19 anos.
Segundo o coordenador do projeto londrinense, Nivaldo dos Santos, outras duas meninas acompanharam Andreza ano passado na peneirada do Alvinegro. Ele acredita que as chances são mínimas, pois no futebol ''tudo acontece na base da padrinhagem''. Porém, este detalhe não é suficiente para tirar o ânimo das garotas. Em novembro do ano passado, o contato com Cristiane, Maurine e outras jogadoras da seleção brasileira que vieram até Maringá falou mais alto.
''Como as próprias jogadoras incentivaram elas a continuarem investindo no sonho, isto causou expectativa, criou esperança e aumentou a confiança'', observou o coordenador, que também ensaia a abertura de uma franquia do futebol feminino do Santos na cidade, mas tudo ainda é projeto.
Sem se importar muito com o fator ''panelinhas'', Andreza preferiu seguir o conselho do técnico Kleiton Lima, do Santos e da seleção brasileira. A falta de preparo físico condizente com as demais jogadoras foi apontado como fator que desclassificou a apucaranense. ''Como na época eu tinha 14 e as outras estavam com 18 anos, foi muito complicado'', diz, ressaltando que conseguiu até marcar um gol no jogo-treino contra a categoria de base do Santos.
Neste ano, além da oportunidade de jogar contra a seleção brasileira que revigorou suas esperanças, também passou a frequentar uma academia para melhorar o porte físico. Na peneirada do ano passado, fez amizade com outras meninas que também sonham em defender a melhor equipe de futebol feminino do Brasil com quem frequentemente troca e-mails.
''Sempre que falo com elas pela internet, dizem para eu continuar tentando. É importante melhorar o preparo físico e também ter aquela malícia do futebol. Eu estou confiante, tomara que dê tudo certo'', conta a garota que sonha em jogar como meia-atacante do Santos.

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