São Paulo - O brilho da prata olímpica conquistada em Atenas pelas meninas da seleção brasileira de futebol já se apagou. As promessas de patrocínio, salário, Liga Profissional, virou tudo fumaça e decepção. A liga não tem data para começar, o prêmio de R$ 25 mil não foi pago integralmente até agora as garotas só receberam R$ 16 mil e o futuro da modalidade, como antes da Olimpíada, é incerto.
Logo após a ótima campanha em Atenas, a CBF anunciou com estardalhaço um projeto para bancar as 18 jogadoras da Seleção. Objetivo: salvar a modalidade e evitar o êxodo para o exterior. Na prática, nada foi feito. Cristiane, Elaine e Pretinha, por exemplo, já foram cuidar da vida no exterior. Marta e Formiga continuam na Suécia.
Não bastasse a debandada, a maioria das garotas está no desvio. É o caso da goleira reserva 'Maravilha' Marlisa Wahlbrink , de 31 anos, veterana de 10 anos de Seleção. Em Maravilha, cidade no oeste de Santa Catarina, Marlisa está sem clube desde 2002. Enquanto não arruma clube, Maravilha ganha o pão vendendo chuteiras, além de dar uma força à família na roça.
Marta, de 18 anos, embarca na quinta-feira para a Suécia, onde defenderá pela segunda temporada o Umea Ik, que contará com o reforço da também brasileira Elaine. ''Minha filha diz que a diferença entre o dinheiro pago lá fora e no Brasil é muito grande'', disse dona Tereza, mãe da terceira melhor jogadora do mundo, segundo a Fifa.
Para Paulo Dutra, supervisor da Seleção, a liga deve sair no mês que vem. ''Se o presidente (Ricardo Teixeira) fala que o Brasileirão vai sair do papel, é porque vai''. O técnico da Seleção, Luiz Antônio Ferreira, torce para que o calendário saia. ''Mas de nada vai adiantar um calendário se o processo não começar nos clubes'', diz o técnico que trabalhou na Coréia.
A falta de competições oficiais este ano, porém, deve atrapalhar ainda mais o sonho das meninas. O Mundial da China será realizado em 2006. No fim do ano, sem data definida, haverá o Sul-Americano, que é classificatório.

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