A garota Fernanda Borzuk de Lima, 11 anos, pivô da equipe mirim masculina de futebol de salão da Associação dos Funcionários do Município de Londrina (AFML) tornou-se a estrela da Copa Jorge Scaff. Naná, como é carinhosamente chamada pelos amigos, joga ao lado do irmão gêmeo Fernando, também pivô, com quem aprendeu a dar os primeiros chutes. ‘‘Comecei a brincar de bola com ele aos oito anos. Ficávamos chutando a gol e dando dribles. Gostava mais de jogar futebol do que brincar com boneca. Quando o Fernando foi treinar no clube (AFML), pedi para minha mãe falar com o treinador para eu poder ir também’’.
Ela conta que não foi difícil convencer o técnico Ique e os demais jogadores. ‘‘Eu já estava até acostumada a demonstrar para os outros que sabia jogar. Quando chegava na quadra e os meninos não me conheciam, eles falavam: ‘Mostra aí Naná, vamos ver se você sabe jogar de verdade’. Só depois é que me deixavam participar do jogo’’.
Naná vem conciliando bem os estudos na 5ª série no Colégio Estadual Nilton Guimarães com os treinamentos noturnos (segundas, quartas e sextas-feiras) e os jogos nos finais de semana. ‘‘Dá para fazer tudo, sem nenhum problema’’, garante. Sua única queixa é o desinteresse das amigas pelo esporte. ‘‘Acho que seria muito legal jogar num time só de garotas. Na escola, durante o intervalo, jogo sozinha com os outros meninos, enquanto as minhas amigas ficam olhando. Já vi algumas meninas mais velhas jogando, mas elas dão muitos ‘bicos’ e chutes na canela’’.
Fã da Seleção Brasileira Feminina de Futebol, Naná vibrou com o quarto lugar conquistado por Pretinha, Michael Jackson, Fanta, Meg e companhia, nas Olimpíadas de Atlanta. ‘‘Elas jogaram bem. Assisti aos jogos pela TV e torci bastante por uma medalha, mas não foi dessa vez’’. E como não poderia deixar de ser, seu grande sonho é seguir carreira profissional, além de defender o selecionado nacional. ‘‘Quero continuar jogando, só que não vou parar de estudar. Meus pais e meu irmão sempre me incentivam e sei que eu posso fazer as duas coisas’’, diz convicta a pequena dama do futsal londrinense. Naná deve ter herdado do pai Jairo Lima, muito do que sabe fazer com uma bola. Ele jogou na ‘‘fase de ouro’’ do futsal paranaense, defendendo a Cacique e a seleção londrinense.
Um problema para Naná: o superintendente da Federação Paranaense de Futebol de Salão, Antonio Carlos Moreira Filho, diz que a entidade proibe que garotas atuem juntas com meninos. ‘‘Se uma menina levar uma bolada de outra, não há tanto risco. Mas geralmente o garoto tem mais potência no chute e isso pode machucá-la e até deixar sequelas’’, argumenta Antonio Carlos. Como há várias escolinhas em Curitiba, a FPFS estuda promover em 97 competições nas categorias mirim, infantil e infanto, a nível metropolitano. Se a idéia der certo, a entidade deve organizar depois certames estaduais.

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