Menina de ouro é recebida com festa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de abril de 2005
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A campeã mundial de taekwondo, Natália Falavigna, 20 anos, foi recebida de uma forma muita calorosa ontem à tarde no Aeroporto de Londrina. Nem mesmo o atraso de quase duas horas do vôo vindo de São Paulo impediu que familiares e amigos lhe esperassem com faixas e flores. Uma das faixas dizia ''seja bem vinda menina de ouro e do ouro. Parabéns lutadora''.
Natália, que estava com a medalha de ouro no peito e com a bandeira do Brasil, se emocionou ao reencontrar pessoas que foram fundamentais em sua conquista como seus pais, a primeira professora de educação física e a amiga que lhe incentivou a praticar o esporte. A campeã fez questão de abraçar cada um dos amigos e familiares que foram lhe receber. ''Estou muito feliz'', resumiu. Após a recepção no aeroporto, Natália participou de uma carreata pelas principais ruas e avenidas da cidade em um caminhão do Corpo de Bombeiros.
Sete dias depois de conquistar o título mundial da categoria até 72 quilos, na Espanha, a paranaense parece ter assimilado o fato de ser a melhor do mundo. ''É muito bom ouvir as pessoas falarem que eu sou campeã mundial. Conquistei aquilo que tinha sonhado. Mas não vou parar. Vou continuar treinando para conquistar outros títulos que ainda não tenho, como da Copa do Mundo, do Mundial Universitário, do Pan-Americano e da Olimpíada'', afirmou.
Sobre a conquista do Mundial, Natália contou que as cinco lutas vencidas foram muito difíceis, principalmente a semifinal contra a lutadora espanhola, que contava com a torcida, e a decisão contra a inglesa Sarah Stevenson. ''Não podia ficar em segundo mais uma vez'', disse a atleta, que havia conquistado a medalha de prata no Mundial de Seul, na Olimpíada Universitária e na Copa do Mundo.
A emoção na final foi tão grande que Natália demorou para perceber que havia conquistado o título. Depois de empate no tempo normal, a decisão foi para o ''golden point'' (prorrogação). Com isso, a primeira atleta que pontuasse seria declarada campeã. ''Eu escutei o sinal sonoro do ponto, mas não sabia se era meu. Só consegui comemorar após ver a fisioterapeuta da seleção pulando de alegria'', lembrou Natália, que ganhou suas três últimas lutas na prorrogação.
Ela reconheceu que seu título deve-se muito à mudança para Campinas, onde está treinando desde o início do ano com o técnico José Palermo Júnior, o Tilico. ''Gostei muito da estrutura da academia e do método de treinamento. Estava precisando disso para evoluir tecnicamente'', afirmou a atleta, que treina com outros atletas da seleção brasileira, como Diogo Silva.
Além da nova ''casa'', Natália ganhou outro incentivo para buscar o título mundial: um novo patrocínio. Ela faz parte do programa ''Mulheres que Fazem o Brasil Brilhar'', desenvolvido pela Bombril. ''Não fosse esse patrocínio, não sei quanto tempo poderia ficar em Campinas.''
Nos quatro dias que permanecerá em Londrina, a campeã pretende ''curtir a família, correr com meu preparador físico e quem sabe treinar na academia (Pequeno Tigre) para matar um pouco a saudade.'' O próximo desafio de Natália será o Campeonato Brasileiro Universitário, em Porto Alegre, classificatório para o Mundial. ''Sei que não posso vencer todos os campeonatos, mas vou lutar por isso'', concluiu.


