Meligeni planeja vôos mais altos em 2000
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
São Paulo, 10 (AE) - O tênis brasileiro viveu alguns de seus melhores dias na temporada de 1999, com os títulos de Gustavo Kuerten em Montecarlo, Roma, e sua terceira posição no ranking. Mas, desta vez, o maior tenista do País, dividiu glórias com o incansável "operário das quadras", Fernando Meligeni. Esta semana, o conhecido "Fininho" reiniciou no Clube Pinheiros, em São Paulo, os treinamentos para a temporada de 2000: quer voar ainda mais alto, com objetivos ousados e talvez deixar o estigma de jogador de muito fôlego para merecer o respeito pela boa técnica adquirida nos últimos tempos.
"Hoje já posso dizer que sou um jogador mais completo", analisa Meligeni. "Ninguém mais se coloca entre os 50 do mundo, apenas com um bom golpe", ensina. "É preciso muito mais." Este ano, Fininho chegou a colocar-se na 25.ª posição do ranking. Mas seus maiores troféus são as vitórias conquistadas, como na memorável campanha das semifinais de Roland Garros, quando superou Alex Corretja, Felix Mantilla e Patrick Rafter, na época número dois do mundo. Lembra também com orgulho da "aula de tênis no saibro", que aplicou em Pete Sampras, no Foro Itálico de Roma; não deixa de enfatizar o bom resultado sobre Tim Henman, em Montecarlo; e a vitória sobre Carlos Moya, em Long Island, numa quadra rápida.
E será justamente em superfícies rápidas que Meligeni espera apresentar suas novas armas. Seu técnico, Ricardo Acioly tem um lema: "A cada ano é preciso entrar para o circuito com novidades", diz. "No vestiário todo mundo conversa e ficamos sabendo os pontos fracos de cada um", prossegue. "É importante apresentar novos recursos, para surpreender os adversários."
De voleio - Conhecido como jogador tipicamente de quadras de saibro, Meligeni, aos 28 anos, não se mostra satisfeito ainda com o que conseguiu. E, mesmo correndo o risco de pagar caro, está investindo em uma mudança radical em seu jogo: quer ir para a rede quando necessário e buscar a definição dos pontos nos voleios.
"Acho que tem certas horas que é necessário colocar a cara na rede para ver o que vai dar", diz. "É claro que não vou abandonar meu estilo de fundo de quadra, vou perder muitos pontos, mas espero surpreender muita gente, com os voleios junto a rede."
Para concretizar esta transformação, Meligeni está sendo obrigado a fazer uma mudança de empunhadura, do jeito de segurar a raquete, para executar os voleios com maior eficiência. Acioly
que já foi o responsável por uma alteração bem mais difícil em seu pupilo, ao transformar seu bach hand, de duas mãos para uma, acha que agora o risco é menor e diz que basta apenas Fininho automatizar esta pegada, quando chegar à rede.
Nem só a técnica é importante nesta transformação. O preparo físico precisa estar em ordem. Por isso, Meligeni já conta com a orientação do preparador Eduardo Faria, também da equipe brasileira da Copa Davis, que se orgulha do fato de ter transformado os hábitos de Fininho.
"Os atletas normalmente sabem o que devem fazer, o que comer e tomar", diz. "A diferença está em acompanhá-los e criar novos hábitos para que se tornem mais fortes e afastem os riscos de lesões." Neste ano de 1999, Meligeni pode se orgulhar de ter sido um dos jogadores com menor número de contusões. Sofreu apenas um problema na coxa e esteve ameaçado por uma gripe forte. Para 2000, Fininho diz que estará ainda melhor e já começa a enfrentar os primeiros desafios em janeiro, nas quadras rápidas e ensolaradas da Austrália.
Só uma coisa ainda não muda em Meligeni. Seu estilo de vida.
Descontraído, tranquilo, nem sequer pensa em casamento. "Estou com 28, talvez decida quando tiver com 38", diz. Solteirão não se aflige com a ameaça das más linguas, por nunca andar com namoradas a tira colo. "Tenho até uma foto aqui com a Feiticeira", orgulha-se como se fosse um troféu.


