Uma vida inteira dedicada ao tênis. Foi e continua assim a rotina de Fernando Meligeni. Desde que encerrou a carreira profissional em 2003, Fininho - apelido que ganhou pelo seu físico - bem que tentou, mas não conseguiu ficar longe da atividade onde conquistou o reconhecimento e lhe trouxe prazer durante quase 20 anos.
As jogadas espetaculares que saíam de sua raquete deram lugar ao estilo mais cadenciado dos jogos de exibição pelo Brasil contra outros ex-tenistas. A agenda mais livre também abriu espaço para outras atividades, como um blog, que ele atualiza diariamente, e o livro 'Aqui Tem', que lançou recentemente, em parceria com o jornalista André Kfouri, autor da publicação.
Mas o que é passatempo para muita gente, para Meligeni tem outro objetivo. Ele usa o blog para comentar resultados do tênis e contar histórias de bastidores do esporte que está na lista dos mais elitizados do mundo. Tudo que ele fala, toma uma dimensão impressionante.
E assim foi também com o atual número 1 do Brasil, o paulista Thomaz Bellucci, que após a derrota para a Índia, pela Copa Davis deste ano, criticou duramente os técnicos do País, questionando a qualidade deles. Meligeni, que chegou a ser número 25 do mundo, discordou das críticas de Bellucci. ''Na minha opinião, temos mais bons técnicos do que jogadores. Respeito a posição dele, mas acho que nem ele sabia a repercussão que a declaração daria'', frisou o ex-tenista que esteve nos últimos dois dias em Londrina.
A derrota brasileira também intrigou o ex-tenista, que cobrou uma posição mais transparente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). ''Foi uma coisa meio estranha. Ficamos sem um motivo claro da derrota, não disseram o que aconteceu lá, se houve falha na preparação. Uma derrota como essa, sempre deixa algo para ser revisto'', apontou Meligeni, que foi capitão da seleção brasileira na Davis entre 2005 e 2008.
O argentino naturalizado brasileiro viveu seu melhor momento na carreira em 1999, quando chegou à semifinal do master francês de Roland Garros ganhando de grandes nomes do tênis da época, entre eles os espanhóis Alex Corretja e Felix Mantilla. Ainda venceu no mesmo ano o russo Yevgeny Kafelnikov e o norte-americano Pete Sampras, segundo ele, o melhor tenista que enfrentou.
Os grandes jogos neste período ajudaram Meligeni a marcar seu nome na história do tênis brasileiro como um dos melhores jogadores. Agora, ele acompanha de perto a formação de novos talentos do esporte e aponta alguns com boas chances de alcançar seus feitos e do amigo Gustavo Kuerten. ''Dizer se vai chegar a ser um grande tenista é difícil, tem muita coisa para acontecer. Mas analisando atualmente o trabalho do Tiago Fernandes, do Marcelo Demoliner e Tiago Monteiro, dá para ver que eles têm potencial para ir longe'', registrou.

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