São Paulo, 10 (AE) - De volta à rotina de treinamentos, depois da festa da Copa Davis, em Florianópolis, o tenista Fernando Meligeni entra numa fase importante na temporada, iniciando uma série de torneios - México, Santiago, Scottsdale, Indian Wells e Key Biscayne - , em que pensa em conquistar muitos pontos. Mas, como se fosse um simples torcedor de tênis, revela também estar em dúvida com as novas regras da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e confessa não saber mais fazer as contas. "Na verdade, nem mesmo eu entendo", disse Meligeni.
"Não sei mais exatamente quantos pontos tenho de defender no ranking, pois como não há mais bônus, a pontuação dos torneios mudou e estamos somando os 18 melhores resultados e não mais 14." A dúvida de Meligeni é geral. A ATP lançou em janeiro um novo sistema de ranking, batizado de "corrida dos campeões", que, na verdade, por ora, não serve para praticamente nada, além de confundir.
A esperança da associação é de que no segundo semestre tudo entre no normal, com a lista da corrida e das 52 semanas (método usado no ano passado) caminhando quase juntas, com os tenistas ocupando posições semelhantes nos dois sistemas. A incerteza pegou Meligeni também na definição da vaga para a Olimpíada. Quer fazer de tudo para ir para Sydney, mas teme que as confusões do ranking possam acabar complicando sua vaga.
"Para ir a Olimpíada jogo de graça, pelo patriotismo, pela oportunidade de estar com a galera do esporte, convivendo neste clima na Vila Olímpica", disse. "Em Atlanta até cheguei a pagar a passagem aérea para jogar, pois estava na Europa, enquanto a delegação partia do Brasil." O critério de convocação da Olimpíada, como já definiu a Federação Internacional de Tênis (ITF) junto com o Comitê Olímpico Internacional, mais a ATP garante duas vagas por país, para jogadores colocados entre os 50 primeiros do ranking de 52 semanas.
Nos Jogos de Sydney, porém, a pontuação distribuída no torneio olímpico só contará para o ranking de corrida. Nesta lista, tanto Meligeni como Guga ocupam a 111.ª colocação. "Sou contra a pontuação no torneio olímpico", disse Meligeni. "A Olimpíada não deve ter dinheiro, nem prêmios, só vontade de defender o país e participar do espírito olímpico."
Para Meligeni, assim como Gustavo Kuerten, serem confirmados na Olimpíada, ambos precisão estar entre os 50 primeiros - do ranking de 52 semanas (definido nos bastidores como "o verdadeiro"), na lista a ser divulgada justamente uma semana após a disputa de Wimbledon. O difícil, segundo Meligeni, é saber quantos pontos precisa defender até lá. Ele, por exemplo
tem muitos pontos referentes aos torneios de Roma, Montecarlo e
especialmente, Roland Garros, em que alcançou as semifinais.

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