Meia trocaria títulos por fim do preconceito
Belo Horizonte Revoltado com os atos racistas sofridos durante a derrota do Cruzeiro para o Real Garcilaso, no Peru, quarta-feira, pela Copa Libertadores, o meio-campista Tinga chegou a afirmar que trocaria todos seus títulos pelo fim do preconceito.
"No começo achava que era uma simples vaia, até por a gente ser um pouco conhecido aqui por ter jogado algumas Libertadores. Depois que eu vi que era um insulto racista, fiquei um pouco chateado, mas eu permaneci focado na partida, queria ganhar. A gente fica bem chateado por acontecer uma coisa dessa", relatou Tinga, ao site oficial da equipe mineira. "Eu trocaria todos os meu títulos pelo fim do preconceito. Trocaria por um mundo com igualdade entre todas as raças e classes", desabafou o volante, que tem em seu currículo dois títulos da Libertadores (2006 e 2010), um Campeonato Brasileiro (2013) e duas Copa do Brasil (1997 e 2001).
Logo após a partida, o Cruzeiro anunciou que entraria com uma representação junto a Conmebol. Além das ofensas ao meio-campista Tinga, o clube mineiro afirmou que relatará a entidade diversos problemas vivenciados em Huancayo. "O que fizeram com o Tinga foi uma palhaçada, uma sacanagem. O que sentimos aqui é um retrocesso da humanidade. É pensar pequeno, em um lugar pequeno, que não devia nem existir futebol", afirmou o diretor de futebol do clube mineiro, Alexandre Mattos.
"Nossa van foi revistada pela polícia, depois de novo aqui dentro, uma indelicadeza muito grande. Este estádio não tem condição nenhuma, uma cidade sem hotel. Não tem água no vestiário. É um perigo ali na lateral do campo, jogador cair naquela pista e machucar. Na hora que um arrebentar a cabeça, eles vão tomar providências, mas vai ser tarde demais", declarou o dirigente. (Folhapress)





